Casais de saguis aprendem a “falar” como seus parceiros, mostra estudo

Casais de saguis aprendem a “falar” como seus parceiros, mostra estudo

Ler Resumo

Introdução
Estudo inovador revela que saguis ajustam suas vozes dinamicamente para soar como parceiros, um fenômeno conhecido como acomodação vocal. Essa pesquisa, da Universidade de Zurich, oferece novas pistas sobre a evolução da linguagem humana, mostrando que a capacidade de modificar sons é crucial para a comunicação e laços sociais em primatas.

Acomodação vocal: fenômeno em que humanos e animais adaptam a fala para soar como parceiros.
Nova pesquisa analisa saguis, primatas altamente sociais, para entender como esse ajuste vocal ocorre.
O estudo mostra que saguis mudam suas vocalizações de forma interativa e coordenada.
Descoberta de aprendizagem vocal dinâmica em saguis, crucial para a criação de laços.
Implicações para a evolução da linguagem humana, revelando mecanismos pré-linguísticos.

Este resumo foi útil?

👍👎

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Quando duas pessoas se dão muito bem, é comum que eles comecem a falar parecido. Não raro, casais que se conhecem há muito tempo passam a repetir as mesmas gírias, pronunciar as frases com o mesmo sotaque ou mesmo falar com o mesmo tom de voz.
Esse fenômeno – a acomodação vocal – vai além dos relacionamentos mais próximos. A depender da situação social, humanos tendem a mudar a entonação, o ritmo, a velocidade e a pronúncia de suas falas, mesmo sem perceber, para se aproximar de seus interlocutores. Na prática, isso pode servir para facilitar as interações entre indivíduos, ajudar na criação de laços sociais ou mesmo viabilizar a cooperação.

A acomodação vocal, porém, não é restrita apenas aos humanos. Outros primatas, como os chimpanzés e os bonobos, também fazem a mesma coisa. E, agora, foram os saguis que ganharam a atenção dos cientistas.

Em um novo estudo lançado no início de junho, pesquisadores da Universidade de Zurich, na Alemanha, analisaram como pares de saguis gradualmente ajustam aspectos de suas vocalizações para soarem mais parecidos com seus parceiros. Olhando para a acomodação vocal desses pequenos primatas, o trabalho publicado no Proceedings of the Royal Society B traz novas evidências que podem ajudar a explicar o surgimento da linguagem em seres humanos.
Os saguis são altamente sociais, e a acomodação vocal entre esses animais era um fenômeno já bem documentado dentro da literatura científica. Por isso, como conta o pesquisador Nikhil Phaniraj, eles se mostraram candidatos interessantes para um estudo mais aprofundado sobre o tema.

Continua após a publicidade

“O que faltava era uma compreensão de como esse processo se desenvolve ao longo do tempo e quais mecanismos de aprendizagem poderiam explicá-lo. Nosso objetivo era desvendar esses mecanismos e compreender melhor o papel da plasticidade vocal socialmente induzida na evolução da comunicação dos hominíneos”, explica Phaniraj, principal autor do estudo, ao Phys.org.
Para entender melhor os mecanismos por trás dessa adaptação, os pesquisadores separaram os saguis em sete pares, cada um com um macho e uma fêmea, e gravaram suas interações ao longo de dois meses. Comparando esses registros com gravações feitas antes do contato entre parceiros, os especialistas puderam analisar as mudanças graduais na sonoridade dos animais.
O estudo focou um tipo específico de vocalização (um “trinado” curto e agudo) que os saguis usam em interações sociais próximas. No total, quase 6 mil registros desses sons foram para a análise. Para quantificar as mudanças nos cantos dos animais ao longo do tempo, os pesquisadores usaram modelos de machine learning capazes de selecionar características acústicas específicas presentes nas gravações. Com base nesses dados, foram produzidos modelos matemáticos, que permitiram visualizar as adaptações graduais das vozes dos saguis.

Continua após a publicidade

Os resultados revelaram que a adaptação das vozes dos micos era muito mais sofisticada do que antes se pensava. A acomodação vocal é um processo interativo, em que ambos os parceiros mudam suas vocalizações em proporções similares, até as duas vozes concordarem em uma mesma sonoridade. Essa convergência, como sugere o estudo, é feita de maneira altamente coordenada.
Ao invés de apenas copiar uns aos outros, os saguis “pareciam estar monitorando continuamente as mudanças na voz de seus parceiros, e ajustando seus próprios chamados de acordo. De certa forma, os saguis estavam fazendo uma dança vocal, com cada parceiro constantemente ajustando seus chamados de acordo com os movimentos do outro. Isso é empolgante porque sugere que os saguis exibem uma forma dinâmica de aprendizagem vocal”, detalha Phaniraj.
Ao destrinchar o processo da acomodação vocal, o novo estudo também ajuda a identificar certos mecanismos pré-linguísticos que, no caso dos humanos, podem ter contribuído para o desenvolvimento da linguagem.

Continua após a publicidade

“Uma das habilidades que torna a linguagem possível é a aprendizagem vocal, nossa capacidade de modificar os sons que produzimos com base no que ouvimos dos outros. Durante muito tempo, pesquisadores se concentraram em exemplos mais dramáticos de aprendizagem vocal, como aves aprendendo canções inteiramente novas. No entanto, os seres humanos também fazem constantemente ajustes muito mais sutis durante as conversas do dia a dia”, explica Phaniraj.
Para os pesquisadores, agora, o próximo passo será entender se essa acomodação vocal é algo que os micos esperam de seus parceiros, e, consequentemente, o que aconteceria caso essa adaptação não fosse cumprida. O papel da ocitocina – um hormônio chave para a regulação de comportamentos sociais entre os saguis – durante o processo de acomodação também é um tema de interesse para a pesquisa.
AS MAIS LIDAS DA SEMANA

Toda sexta, uma seleção das reportagens que mais bombaram no site da Super ao longo da semana.

Inscreva-se aqui

Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá nossas newsletters pela manhã de segunda a sexta-feira.

Continua após a publicidade

 
 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *