4 pássaros que são venenosos

4 pássaros que são venenosos

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Introdução
Faz poucas décadas que a ciência descobriu algo surpreendente: existem aves venenosas! Elas não produzem toxinas, mas as armazenam de sua dieta para se defender. Conheça o Pitohui, Ifrita, Codorna-comum e Pato-ferrão, exemplos de uma realidade fascinante.

A verdade por trás do mítico Zhenniao: pássaros venenosos realmente existem.
A descoberta do Pitohui em 1992, o primeiro pássaro tóxico cientificamente identificado.
Entenda como essas aves adquirem e armazenam veneno de sua alimentação.
O veneno como eficaz mecanismo de defesa contra predadores e parasitas.
Exemplos fascinantes: Pitohui, Ifrita, Codorna-comum e Pato-ferrão.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Na mitologia chinesa, o Zhenniao (鴆鳥) é um pássaro grande, colorido e mortal. Segundo as lendas, esta ave mítica era venenosa – porque comia víboras e armazenava sua peçonha em seu corpo.
Por muito tempo, cientistas e historiadores acreditavam que o Zhenniao era apenas uma figura mitológica, tal qual os dragões chineses. Não existem, afinal, pássaros venenosos. Certo?

Errado: em 1992, um artigo publicado na revista Science descobriu a primeira ave cujas penas e pele armazenam veneno – e podem intoxicar inclusive humanos. Desde então, mais algumas poucas espécies de pássaros com este super poder foram descobertas.

Ainda não se sabe se o Zhenniao existiu ou não – ele pode ter sido uma rara espécie que habitava a China há séculos e foi extinta ou apenas uma lenda mesmo. De qualquer forma, a ideia de uma ave venenosa não é tão fantasiosa assim.
Nenhum pássaro produz veneno por si só, como fazem as cobras, escorpiões e aranhas. Mas alguns conseguem armazenar toxinas presentes em suas presas – insetos ou plantas –, sem que isso cause problemas à sua saúde.

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Essas aves não têm uma maneira de injetar a substância em outros animais; dessa forma, o veneno funciona como um mecanismo de defesa contra possíveis predadores, como cobras, e também para se proteger de parasitas, como piolhos.

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Veja alguns exemplos abaixo.
Pitohui

– (Reprodução/Wikimedia Commons)

Nativo da Nova Guiné, esse pequeno e simpático passarinho vermelho e preto foi a primeira ave tóxica identificada pela ciência. Os povos indígenas da ilha, porém, sabem disso há muito tempo – e evitam comê-lo.
Os pitohuis têm acúmulo de batracotoxina, uma neurotoxina, em sua pele, penas e outros tecidos. Esse veneno é altamente potente, muito mais letal que o cianeto ou a estricnina, por exemplo. É a mesma substância encontrada em algumas rãs venenosas e coloridas da Amazônia, cujo veneno é utilizado por alguns povos indígenas em suas flechas.
Não se sabe exatamente qual a fonte do veneno, mas cientistas acreditam que ele venha do consumo dos besouros do gênero Choresine, que habitam a região e têm altas concentrações de batracotoxina.

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Os pássaros, no entanto, têm uma concentração muito menor de veneno do que essas rãs. Tocar nos pitohuis pode causar irritação, dormência e ardência na pele. Consumi-los, é claro, pode causar intoxicação, mas quadros graves são raros.
O nome Pitohui se refere a um gênero que reúne várias espécies aparentadas, sendo todas venenosas em maior ou menos grau. O mais tóxico de todos é o Pitohui-de-capuz (Pitohui dichrous).
Ifrita

– (Reprodução/Wikimedia Commons)

Este querido pássaro de topete azul também é nativo da Nova Guiné e, assim como os pitohuis, tem batracotoxina em suas penas. Mas, curiosamente, as duas aves não são parentes. 
Este é um exemplo de “evolução convergente”: o fenômeno em que espécies diferentes desenvolvem características semelhantes por conta de pressões seletivas do ambiente.

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A provável fonte da toxina também são os besouros do gênero Choresine.
Tanto o Pitohui quanto o Ifrita são resistentes ao próprio veneno graças a uma mutação no gene SCN4A.
Codorna-comum

– (Reprodução/Wikimedia Commons)

Calma, não é a codorna que bota os ovos que você come! No Brasil, a espécie mais comum criada para a produção de ovos é a codorna-japonesa (Coturnix japonica), cujas populações vivem em granjas especializadas. 
A espécie venenosa é a codorna-comum (Coturnix coturnix), que vive na Europa e na Ásia ocidental. Sua carne é ocasionalmente tóxica (provavelmente devido a alguma planta que os bichos comem, ainda não identificada pelos cientistas), e consumi-la pode causar dor muscular, vômito e náuseas.

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Esse envenenamento alimentar é chamado de “coturnismo” e é raro – não é sempre que a carne da codorna é tóxica, já que depende de sua dieta. Há relatos desses casos ao longo da história, desde a Grécia Antiga e possivelmente até na Bíblia.
Pato-ferrão

– (Reprodução/Wikimedia Commons)

Assim como no caso das codornas, não são todos os indivíduos dessa espécie africana (Plectropterus gambensis) que são tóxicos. Algumas populações dessa ave, no entanto, comem besouros meloídeos, da família Meloidae, que produzem o veneno cantaridina. A toxina é armazenada nos tecidos destes pássaros e, caso a carne seja consumida, pode haver problemas de saúde.
A cantaridina é um veneno potente, e há relatos inclusive de morte de humanos que consumiram diretamente os besouros. No entanto, não há registros nem estudos mostrando fatalidades envolvendo o consumo de patos-ferrão.
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