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Introdução
Uma nova crise migratória eclodiu em Ceuta, cidade espanhola no norte da África, com cerca de 50 mil pessoas, maioria jovens marroquinos, atravessando a fronteira em poucos dias. A cidade, porta de entrada para a União Europeia, vê seus reforços policiais agirem enquanto as autoridades investigam os motivos e o histórico da região.
Ceuta enfrenta nova crise migratória com 50 mil entradas Cerca de 57 migrantes perderam a vida na travessia arriscada Ceuta é um enclave espanhol estratégico na fronteira com o Marrocos Histórico da soberania espanhola de Ceuta desde 1668 Marrocos reivindica Ceuta e Melilla, gerando tensões diplomáticas
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Durante esta semana, teve início uma nova crise migratória em Ceuta, cidade autônoma da Espanha localizada no norte da África. Ela fica na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar, e faz fronteira terrestre com o Marrocos.
Cerca de 50 mil pessoas, a maioria jovens marroquinos, atravessaram a fronteira para chegar a Ceuta. O número é tão elevado que se aproxima da própria população da cidade, de cerca de 80 mil habitantes. A chegada em massa começou na quinta-feira. Os motivos por trás de uma onda tão intensa e rápida de migração em poucos dias ainda estão sendo investigados pelas autoridades. Até sexta-feira (31), porém, segundo o Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha, mais de 48 mil migrantes já haviam retornado ao Marrocos, muitos deles por vontade própria.
A maior parte dos migrantes fizeram a travessia pelo mar, em um percurso arriscado que provocou a morte de pelo menos 57 pessoas. Outros cruzaram a fronteira por terra, pulando as cercas que isolam a cidade.
Ceuta é fortemente protegida por cercas, sistemas de vigilância e policiamento, já que representa um dos principais pontos de entrada de migrantes africanos para o território da União Europeia. A Espanha enviou novos reforços policiais após a nova crise migratória.
– (Aotearoa/Wikimedia Commons)
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A cidade já havia enfrentado uma crise semelhante em 2021, quando cerca de 20 mil pessoas entraram em Ceuta em apenas alguns dias. Na ocasião, a onda migratória ocorreu após a Espanha receber um líder político para tratamento de covid-19 –Brahim Ghali é um líder da Frente Polisário, movimento que defende a independência da República do Saara Ocidental, estado parcialmente reconhecido cuja soberania é disputada pelo Marrocos.
Por que Ceuta faz parte da Espanha?
A Espanha possui dois enclaves (partes do território separadas da área principal do país) no continente africano: Ceuta e Melilla. As duas cidades constituem as únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e a África. Melilla fica a cerca de 400 quilômetros de Ceuta, também na divisa com o Marrocos.
– (Holly Cheng/Wikimedia Commons)
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O território da Ceuta, com 18,5 km², foi inicialmente conquistada por Portugal em 1415, enquanto Melilla passou ao domínio espanhol em 1497. Em 1580, as coroas portuguesa e espanhola se unificaram na chamada União Ibérica.
Quando Portugal recuperou sua independência, em 1640, Ceuta permaneceu sob a soberania espanhola, a pedido da própria população da região, que se identificava mais com os espanhóis. A decisão foi reconhecida oficialmente apenas em 1668, no Tratado de Lisboa. Os territórios estão em uma posição estratégica para a Espanha, acessível por meio de uma viagem curta de barco, sem passar por outros territórios.
Nos séculos 19 e 20, Espanha e França colonizaram grande parte do território marroquino, expandindo o domínio na região.
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Em 1956, o Marrocos conquistou sua independência, mas Ceuta e Melilla permaneceram sob administração espanhola, sob o argumento de que já faziam parte da Espanha havia séculos. Até hoje, o Marrocos reivindica a soberania sobre as duas cidades, o que continua sendo um dos principais pontos de tensão diplomática entre os dois países.
Ceuta e Melilla receberam o status de cidades autônomas em 1995. Isso significa que possuem governo próprio e competências administrativas em diversas áreas, semelhante às comunidades autônomas espanholas, como Andaluzia, País Basco e Catalunha.
Hoje, Ceuta reúne uma população diversa, composta por cristãos, muçulmanos, judeus e hindus. Além disso, mantém fortes relações comerciais com o Marrocos, apesar das frequentes tensões.
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