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Introdução
Um novo estudo revela que girafas, com seus cérebros antes subestimados, são capazes de resolver problemas matemáticos simples, como somas. Pesquisadores testaram quatro girafas e observaram que algumas demonstram uma surpreendente cognição numérica, desafiando concepções anteriores sobre esses majestosos ungulados. Leia mais sobre essa fascinante descoberta.
Girafas são capazes de resolver problemas de soma, revelando cognição numérica surpreendente.
Estudo inédito testou a capacidade matemática de ungulados, grupo animal pouco investigado.
Pesquisadores usaram cenouras como incentivo em experimentos com girafas de um zoológico.
Duas das quatro girafas consistentemente realizaram cálculos mentais complexos.
A habilidade pode ter evoluído devido a pressões socioecológicas na natureza.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Com seus pescoços gigantes e a pelagem marcada por manchas marrons e alaranjadas, as girafas são muito mais do que apenas fofas. Na verdade, esses animais conseguem até mesmo resolver problemas matemáticos simples, uma novidade para a ciência.
Estudos já mostraram que animais como abelhas e lobos possuem cognição numérica, mas as girafas costumam ser deixados de lado nesse tipo de investigação por terem cérebros relativamente pequenos.
Mas um novo estudo decidiu dar uma chance às girafinhas. Pesquisadores da Espanha e da Alemanha testaram a cognição numérica desses animais. Basicamente, buscavam compreender até onde vai sua capacidade de lidar com números: reconhecê-los, interpretá-los, realizar operações simples ou complexas, entre outras habilidades.
Os especialistas realizaram experimentos com quatro girafas (Giraffa camelopardalis) do Zoológico de Barcelona, na Espanha. O centro da atenção eram cenouras, um dos alimentos favoritos das girafas – e um ótimo incentivo para pensar matematicamente.
Eles mostravam às girafas recipientes com diferentes quantidades de cenouras. Alguns tinham duas; outros, três, por exemplo. Os animais tinham um tempo para observar os recipientes. Depois, os cientistas fechavam as tampas e acrescentavam mais cenouras em um deles. As girafas não viam a quantidade final.
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A tarefa era escolher um dos recipientes para comer. Mas identificar o que possui mais cenouras é mais complexo do que parece: exige lembrar a quantidade de cenouras mostradas e atualizar essa informação após a adição, chegando ao resultado certo. É basicamente uma operação de soma.
Os resultados, publicados no periódico científico Scientific Reports, foram promissores. Duas das quatro girafas escolheram, de forma consistente ao longo de diversos testes, os recipientes com a maior quantidade de cenouras.
– (Loidi, I., Caicoya, Á.L., Amici, F. et al. Assessing quantity combination and dissociation in giraffes. Sci Rep 16, 19615 (2026)/Reprodução)
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Tratava-se da fêmea Nuru e do macho Njano. As outras duas girafas, por outro lado, acertavam apenas quando o recipiente que recebeu mais cenouras era o último manipulado pelos pesquisadores.
“Enquanto duas girafas podem ter se baseado em estratégias mais simples (por exemplo, escolher ou evitar o recipiente manipulado pelo experimentador), as outras duas obtiveram sucesso mesmo quando essa estratégia não podia ser usada, sugerindo o potencial uso de cálculos mentais mais complexos”, diz um trecho do estudo.
Essa habilidade mostrou seus limites. Os pesquisadores realizaram experimentos semelhantes para avaliar a capacidade de subtração e multiplicação, e todas as girafas fracassaram nesses testes.
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Ninguém nasce ruim em matemática: o problema é como ela é ensinada
Com base na diferença de desempenho entre os animais, os autores acreditam que algumas girafas podem ter habilidades numéricas mais desenvolvidas do que outras. Algumas talvez sejam até capazes de resolver problemas matemáticos mais complexos.
O trabalho dá continuidade a uma pesquisa anterior, publicada em 2023 também na Scientific Reports, com girafas do Zoológico de Barcelona. Na época, os cientistas mostravam recipientes com diferentes quantidades de cenoura, e os animais escolhiam aqueles com mais alimento.
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Depois, passaram a apresentar recipientes com uma mistura de cenoura e abobrinha. Mesmo assim, as girafas identificavam corretamente quais continham mais cenouras. Foi aí que surgiu o primeiro indício de que elas compreendiam quantidades, e agora sabemos que também realizam pequenas operações matemáticas.
Com a nova pesquisa, a expectativa é desenvolver estudos ainda mais detalhados para entender como as girafas utilizam a matemática e quais fatores explicam essa capacidade.
“Essas habilidades podem ter evoluído em resposta às pressões socioecológicas que as girafas enfrentam na natureza, como a necessidade de rastrear outros indivíduos da mesma espécie e seus relacionamentos em grupos ou lidar com uma dieta variada, que exige conhecer e lembrar a localização de diferentes fontes de alimento”, sugerem os autores em um trecho do estudo.
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