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Introdução
Uma expedição inédita do Schmidt Ocean Institute no Atlântico Sul Tropical, em águas brasileiras, revelou um tesouro de biodiversidade. Em apenas duas semanas, cientistas descobriram 31 novas espécies marinhas na zona mesopelágica, utilizando tecnologia de ponta para explorar esse desafiador ambiente aquático. Um mergulho fascinante no desconhecido!
Expedição em águas brasileiras revelou 31 novas espécies no Atlântico Sul.
Cientistas exploraram a desafiadora zona mesopelágica com tecnologia de ponta.
Uso de ROVs, sistemas de imagem 3D e microscópio a bordo do navio Falkor (too).
Primeiro registro 3D da estrutura celular de um micróbio marinho vivo.
Descobertas incluem vermes-teia-de-aranha bioluminescentes e polvo-fantasma gigante.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A ciência já catalogou alguns milhões de espécies – mas isso é apenas uma pequena fração da imensa diversidade de seres vivos que habitam o planeta e que sequer conhecemos. Muitas espécies desconhecidas vivem escondidas nas profundezas do oceano, e descobri-las é um desafio e tanto.
Primeiramente, não é possível mandar um pesquisador para o fundo do mar com um simples snorkel, pois isso não é seguro para seres humanos. É preciso tecnologia de ponta para alcançar esses ambientes, tirar fotos, coletar amostras e registrar dados. Depois, entra em cena uma equipe qualificada de especialistas para analisar o material e identificar novas espécies.
Foi justamente isso que aconteceu na nova expedição do Schmidt Ocean Institute, uma fundação privada sem fins lucrativos dos Estados Unidos, realizada em abril. A missão ocorreu em águas internacionais da costa brasileira, no Atlântico Sul Tropical, e reuniu pesquisadores de diversas partes do mundo especializados na zona mesopelágica (entre 200 e 1.000 metros de profundidade).
Essa faixa do oceano corresponde à região entre a parte iluminada pelo Sol e o fundo do mar. Ela é especialmente desafiadora por causa do difícil acesso e de seu enorme volume. Além disso, muitas das espécies que vivem ali têm consistência gelatinosa, o que dificulta transportá-las até a superfície sem ferir (ou matar) os animais. A zona mesopelágica também desempenha um papel fundamental no transporte de carbono pelo oceano.
A equipe estava a bordo do navio de pesquisa Falkor (too) e tinha o desafio de encontrar, estudar e catalogar esses organismos de forma não invasiva. Para isso, precisou recorrer a tecnologias de ponta.
Ele usaram sistemas de imagem de alta resolução, como o DeepPIV e o EyeRIS, que escaneiam animais marinhos com precisão utilizando lasers para criar imagens 3D. Também havia a câmera Shadowgraph, capaz de registrar detalhes ainda mais minuciosos. Todos esses equipamentos foram acoplados a um veículo operado remotamente que consegue chegar até a zona mesopelágica.
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Os achados foram impressionantes: em apenas duas semanas de exploração, a equipe catalogou 31 novas espécies, muito mais do que o esperado. Entre elas estão nove águas-vivas, sete sifonóforos (parentes da caravela-portuguesa), quatro larváceos (um tipo de zooplâncton que se parece com girinos), organismos unicelulares visíveis a olho nu, entre outros. Também capturaram registros valiosíssimos de animais já conhecidos mas ainda pouco estudados.
Mas apenas imagens nem sempre são suficientes. Para confirmar que se tratava, de fato, de novas espécies, os pesquisadores também realizaram o sequenciamento genético dos animais.
Alguns organismos foram levados à superfície utilizando uma câmara que recria as condições de seu habitat natural, como pressão, temperatura e luminosidade das profundezas do mar.
Outro equipamento de destaque é um microscópio desenvolvido pela Universidade Stanford, conhecido como Squid. Com ele, os pesquisadores conseguem literalmente observar a interação entre as células dos organismos ainda a bordo do navio, tudo isso em imagens tridimensionais.
Com ele, a equipe documentou pela primeira vez a estrutura celular em 3D de um micróbio unicelular vivo, um feito inédito na pesquisa marinha.
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Os pesquisadores são ligados a instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Smithsonian National Museum of Natural History e a Universidade do Sul da Flórida.
Confira algumas dos registros:
Uma nova espécie do gênero Tomopteris
– (ROV SuBastian / Schmidt Ocean Institute/Divulgação)
Conhecidos como vermes-teia-de-aranha, esses animais se mostraram nadadores extremamente rápidos. Apesar de o corpo ser praticamente formado por uma massa gelatinosa, conseguem nadar para frente ou para trás utilizando seus parapódios (uma espécie de “perninhas”). Segundo o Schmidt Ocean Institute, eles chegam até mesmo a ultrapassar veículos subaquáticos.
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A nova espécie também produz uma luz amarela.
Um polvo comendo uma água viva vermelha
– (ROV SuBastian / Schmidt Ocean Institute/Divulgação)
Os pesquisadores registraram uma cena incomum: uma fêmea do polvo Haliphron atlanticus, espécie já conhecida pela ciência, se alimentando de uma água-viva vermelha. O flagrante aconteceu a cerca de 800 metros de profundidade.
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Somente o manto do polvo (a parte principal do corpo) media entre 40 e 50 centímetros. A fêmea da espécie pode atingir até quatro metros de comprimento e pesar mais de 70 quilos. Pouquíssimas vezes ela foi observada viva.
– (Manu Prakash / Stanford University/Divulgação)
A equipe encontrou um filossoma, o estágio larval das lagostas-espinhosas e das lagostas-sapateiras. Seu corpo é extremamente fino e transparente. A olho nu, praticamente só é possível enxergar os olhos e o intestino do animal (no canto inferior direito).
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– (Emily Clark / MBARI via Schmidt Ocean Institute/Divulgação)
Coletada a 779 metros de profundidade, essa lula chama atenção pelas cores vibrantes em contraste com o corpo quase totalmente transparente.
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