Um brinde ao cosmos

Um brinde ao cosmos

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Introdução
Cosmonautas soviéticos tinham o peculiar hábito de levar bebidas alcoólicas para o espaço, do conhaque escondido no traje ao champanhe para celebrar o Ano-Novo. Uma tradição que gerou histórias curiosas e desafios na microgravidade, hoje proibida, mas com momentos históricos como o gole de vinho de Buzz Aldrin na Lua.

Cosmonautas soviéticos, como Igor Volk e Georgy Grechko, tinham o hábito de levar conhaque e outras bebidas em missões espaciais, muitas vezes às escondidas.
A microgravidade apresentava desafios para beber, com o líquido ficando preso nas garrafas após o consumo parcial.
Nem todas as ocasiões eram clandestinas: Valeri Polyakov celebrou o Ano-Novo na estação Mir com champanhe.
Após um incidente grave na estação Mir, o cosmonauta Alexander Lazutkin recorreu ao conhaque para acalmar os nervos, alegando que a bebida fazia parte da alimentação oficial.
Atualmente, tanto a Roscosmos quanto a NASA proíbem o consumo de álcool, mas Buzz Aldrin fez um brinde religioso com vinho na Lua, em 1969.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

O texto a seguir é parte de uma reportagem em sete capítulos:O último soviético – e outras histórias do programa espacial da URSS
A

Alexei Leonov estava brincando quando disse aos americanos que havia vodka na despensa da Soyuz [leia no texto “O aperto de mãos”]. Mas os cosmonautas degustaram bebida alcoólica no espaço em várias ocasiões. Em 1984, Igor Volk embarcou rumo à estação espacial Salyut-7 levando uma garrafa de conhaque (segundo ele, escondida dentro da roupa). Esse hábito começou antes, e virou uma certa tradição – a ponto de causar pelo menos uma divertida surpresa.
O cosmonauta Georgy Grechko, que esteve em três estações da série Salyut durante os anos 1970, contou que, ao inspecionar um traje usado para a prática de exercícios físicos no espaço, encontrou uma garrafa de 500 ml com um tônico natural de ginseng (planta medicinal). Mas, quando abriu o frasco, viu que era conhaque, deixado por outro cosmonauta.

Bebeu um golinho por dia, até matar a metade da garrafa, mas aí não conseguiu mais. O problema era que, na microgravidade do espaço, ar e líquido têm o mesmo “peso”, ou seja, quase nenhum. Por isso, o que sobrou de conhaque ficou preso dentro do frasco e não saía de jeito nenhum. Segundo Grechko, os tripulantes que o sucederam bolaram um jeito, fazendo movimentos bruscos com a garrafa.

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O cosmonauta Valery Ryumin. (Wikimedia Commons/Getty Images/Montagem sobre reprodução)

Valery Ryumin, que participou de três Soyuz e esteve duas vezes nas estações Salyut, disse ter levado ao todo 6 litros de conhaque armênio para suas missões.
A prática nem sempre era escondida. O cosmonauta Valeri Polyakov abriu uma garrafa de champanhe para celebrar o Ano-Novo a bordo da estação Mir, em 1995. Dois anos mais tarde, um veículo não tripulado colidiu com a Mir, abrindo um buraco na fuselagem. Uma situação bem grave, que os cosmonautas conseguiram contornar isolando a área afetada.

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Um deles, Alexander Lazutkin, contou ter tomado conhaque para acalmar os nervos após resolver o problema – e disse que a bebida fazia parte da alimentação oficial. Atualmente, a Roscosmos (agência espacial russa) não permite o consumo de álcool no espaço.
É a mesma política adotada pela Nasa. Mas Buzz Aldrin bebeu um golinho de vinho, como parte de uma cerimônia religiosa a bordo da Apollo 11, logo após pousar na Lua, em 1969. Ao voltar à Terra, Aldrin passou uma década lutando contra o alcoolismo, até alcançar a sobriedade em 1978.
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