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Introdução
Um novo estudo revela que alguns esturjões-de-lago nos EUA podem viver por mais de 400 anos, desafiando a expectativa de vida anteriormente conhecida. Um macho da espécie foi estimado em 435 anos. A pesquisa detalha uma metodologia para datar esses peixes longevos e sugere que o esturjão é o vertebrado de água doce mais longevo, com mistérios sobre sua longevidade.
Esturjões-de-lago podem viver mais de 400 anos, um novo recorde Macho da espécie é estimado em surpreendentes 435 anos Estudo desafia expectativas de vida anteriores para o peixe Nova metodologia para datar peixes sem escamas foi utilizada Torpor é uma teoria para explicar a longevidade da espécie
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Alguns peixes da região dos Grandes Lagos dos EUA podem estar vivos há mais de 400 anos. De acordo com o estudo publicado no Journal of Fish Biology, um macho da espécie esturjão-de-lago (Acipenser fulvescens), encontrado no rio Black, no estado de Michigan, chega aos 435 anos – quase três vezes a idade do espécime mais velho registrado até então.
Se confirmado, o achado é curioso: esse peixe teria “testemunhado” grandes marcos da história da humanidade, como a Revolução Francesa, a Segunda Guerra Mundial e a queda das Torres Gêmeas. Ainda assim, os autores admitem que é preciso mais pesquisas para confirmar as descobertas.
Os esturjões-de-lago são peixes de água doce nativos da América do Norte e que existem desde a época dos dinossauros – há mais de 200 milhões de anos. Encontrados principalmente na bacia dos Grandes Lagos, situados na fronteira entre os EUA e o Canadá, atingem comprimento de 1,2 m a 1,8 m, e pesam entre 13,6 kg e 36,3 kg.
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Sua expectativa de vida média, os pesquisadores acreditavam, variava de 50 a 100 anos. Mas o novo estudo desafia completamente essa percepção: esturjões machos teriam idade mediana de 87 a 215 anos, enquanto fêmeas estariam na faixa de 90 a 248 anos. Alguns peixes seletos chegaram a ultrapassar esses números, como é o exemplo do macho de 435 anos e de uma fêmea de 292 anos descrita pelo estudo.
Para Edward Baker, um dos autores da pesquisa, é possível que, no futuro, apareçam peixes ainda mais velhos. “As estimativas de idade para os maiores peixes que capturamos de cada população não representam necessariamente a idade máxima que esses peixes poderiam atingir”, diz Baker à Smithsonian Magazine. Machos e fêmeas maiores e mais velhos podem existir, acrescenta ele, e ambos os sexos podem alcançar idades máximas semelhantes.
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O achado faz do esturjão-de-lago o peixe de água doce com a maior expectativa de vida, embora outras espécies de esturjão também possam ter vidas igualmente longas. Mas o título de vertebrado mais longevo do mundo continua com os tubarões-da-groenlândia (Somniosus microcephalus), que podem chegar a 500 anos em casos mais extremos.
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Longevidade invejável
Estimar com precisão a idade de peixes selvagens está longe de ser uma tarefa fácil. O método mais utilizado consiste em contar cada anel escuro nas escamas de um peixe como um ano de vida do animal. No caso dos esturjões-de-lago, como são peixes sem escamas, biólogos contam os espinhos de suas nadadeiras peitorais.
Contar esses anéis permite estimar a idade de peixes que crescem rápido e são relativamente jovens. Com os esturjões, porém, acontece o contrário: eles crescem lentamente e vivem muito. Isso faz com que seus anéis acabem se formando muito próximos uns dos outros e se tornam indistinguíveis – ou até deixam de se formar completamente.
Por isso, os autores do estudo decidiram apostar em uma técnica diferente. Eles analisaram dados de milhares de esturjões-de-lago que foram coletados entre 1980 e 2024 e monitoraram a espécie em cinco cursos d’água na região dos Grandes Lagos (Black Lake, Sturgeon River, Menominee River, St. Clair River e Lake Winnebago).
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Durante esses 44 anos, esturjões foram capturados, identificados, medidos e etiquetados logo abaixo de sua pele, para depois serem devolvidos à água. Caso pesquisadores capturassem um peixe que já tivesse sido marcado, eles o mediam e o soltavam novamente, criando um registro das alterações em seu tamanho ao longo do tempo.
– (USFWS Midwest Region/Domínio Público/Flickr)
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Com base nesses registros, conhecidos como dados de captura, marcação e recaptura, os autores calcularam as taxas médias de crescimento anual das populações de esturjão-de-lago em cada curso d’água. Para isso, eles mediram a diferença entre o comprimento do esturjão na captura mais recente e na captura inicial. Em seguida, dividiram esse valor pelo número de anos do intervalo entre os dois momentos.
A partir do cálculo da taxa de crescimento anual dos peixes, foi possível estimar a idade total deles.
Uma das teorias que surgiram para explicar a expectativa de vida elevada da espécie está no estado que a biologia chama de torpor. No torpor, há uma redução drástica da atividade metabólica e fisiológica que esses animais utilizam para sobreviver a condições ambientais adversas, como o frio extremo ou a escassez de alimentos. Os autores sugerem que o mecanismo prolonga a longevidade do esturjão.
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