Batatinhas de 500 anos? Alimento inca liofilizado é encontrado no Peru

Batatinhas de 500 anos? Alimento inca liofilizado é encontrado no Peru

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Introdução
Descubra o chuño, a batata liofilizada criada pelos Incas na Cordilheira dos Andes. Essa técnica milenar de preservação, que envolvia sol e geada, permitia que o alimento durasse décadas. Pesquisadores encontraram um exemplar de 500 anos na costa do Peru, revelando detalhes fascinantes sobre o império e sua logística.

Avançada técnica Inca de liofilização de batatas, o chuño, para longa duração.
Processo natural que envolve exposição ao sol intenso e geadas noturnas nas altitudes andinas.
Variedades de chuño, incluindo o “branco”, que exigia desintoxicação em água.
Descoberta rara de chuño de 500 anos na costa peruana, indicando vastas rotas comerciais Incas.
O mesmo método era aplicado à carne, originando o charki.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Muito antes de os europeus chegarem às Américas, o povo inca já ocupava uma longa faixa de território na Cordilheira dos Andes, formando um grande império que hoje compreende países como Peru, Chile e Bolívia.
Entre seus conhecimentos, estava o domínio da agricultura, e a batata era um dos pilares de sua alimentação. Mas, como qualquer um que já esqueceu uma batata por algumas semanas sabe, elas não duram muito.

Por isso, os incas realizavam um complexo processo de desidrataçaõ da batata, transformando-a em um alimento chamado chuño: uma batata liofilizada, mais leve e muito mais durável. O chuño pode resistir por décadas. Um achado na costa sul do Peru revela que a preservação pode durar até mesmo séculos.

Os pesquisadores encontraram duas batatas liofilizadas datadas de cerca de 500 anos atrás, ou seja, do período anterior à chegada dos espanhóis ao território. Elas provavelmente resistiram tanto tempo graças ao clima seco da região. A descoberta foi descrita em um estudo no periódico científico Journal of Field Archaeology. 
É um achado raro, já que o chuño é frágil. O local da descoberta também chama atenção: embora fosse produzido nas montanhas, o chuño foi encontrado na costa, o que indica que o alimento era transportado para alimentar populações a centenas de quilômetros.

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Para produzir o chuño, é preciso paciência e tempo: as batatas são exposas ao sol intenso durante o dia e, depois, à geada noturna, quando as temperaturas caem abaixo de 0 °C. Esse ciclo é repetido diversas vezes, até que a água presente no alimento evapore completamente, e ele fique ressecado mas com as estruturas intactas.
Algumas variedades de batata são naturalmente tóxicas e amargas, e costumam ser usadas para produzir o chamado chuño branco. Nesse caso, antes do processo de congelamento e secagem, elas precisam passar semanas de molho para eliminar as substâncias tóxicas.
Um detalhe importante é que esse processo só funciona em regiões de grande altitude, onde as geadas são frequentes, como é o caso da Cordilheira dos Andes. Depois de produzido, o chuño era transportado das montanhas para outras regiões do império, pesando muito menos do que batatas comuns.

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A mesma técnica do chuño também era aplicada à carne, dando origem ao charki, uma espécie de carne seca – cujo nome sugestivo pode ter dado origem ao nosso charque. Não se sabe exatamente quando esses alimentos surgiram, mas os pesquisadores acreditam que já existiam antes mesmo da formação do Império Inca.

– (L. M. Valdez via Journal of Field Archaeology/Divulgação)

E não para por aí. O chuño foi encontrado dentro de um vaso de cerâmica que, segundo os pesquisadores, provavelmente era usado para armazenar o alimento. No mesmo recipiente também havia um fragmento de cerâmica e um fuso de fiar.
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