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Introdução
Arqueólogos descobriram evidências que comprovam o sacrifício de centenas de servos para acompanhar a realeza do Egito Antigo na vida após a morte. Um estudo reexaminou crânios da Primeira Dinastia, revelando sinais de morte violenta, confirmando uma prática restrita a esse período e o fim de um mistério milenar.
Novas evidências comprovam o sacrifício de servos no Egito Antigo.
A prática de sacrifício era comum apenas na Primeira Dinastia egípcia.
Estudo forense encontrou sinais de morte violenta em 18 crânios analisados.
Servos eram mortos para acompanhar faraós na vida após a morte.
A motivação para o sacrifício podia ser voluntária, forçada ou como demonstração de poder.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Quando os primeiros membros da realeza do Egito Antigo foram encontrados sepultados em tumbas grandiosas, acompanhados por centenas de seus cortesãos, arqueólogos não souberam explicar o porquê. Afinal, enterrar servos junto aos governantes não era comum no Egito Antigo: a prática parece ter se restringido ao período da Primeira Dinastia (por volta de 3100 a.C. a 2900 a.C.) e desaparecido pouco depois.
Agora, porém, eles podem finalmente ter descoberto o motivo para a companhia. De acordo com um estudo publicado na revista Frontiers in Environmental Archaeology, esses servos teriam sido sacrificados justamente para servir seus governantes pela eternidade – na vida após a morte.
Os sepultamentos dos servos ocorreram em Umm el-Qaab, uma necrópole em Abidos, cidade antiga do Egito. O local é conhecido por abrigar as tumbas de três membros da Primeira Dinastia egípcia: o rei Djer, faraó que governou por volta de 3000 a.C.; seu sucessor, o rei Djet; e Meretneith, uma mulher que provavelmente governou o Egito.
No início do século 20, o egiptólogo Flinders Petrie já tinha escavado a área e encontrado centenas de sepultamentos simples (um contraste com a pompa dos faraós) nas proximidades das tumbas reais. Ele acreditava que ali estavam pessoas que não pertenciam à realeza, como membros da comitiva e outros indivíduos a serviço do rei.
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Como é improvável que tantos cortesãos tenham morrido de causas naturais ao mesmo tempo, Petrie suspeitou que eles haviam sido sacrificados após a morte do rei, sob a crença de que continuariam a servi-lo na vida após a morte. Faltava, porém, encontrar evidências físicas que corroborassem sua suspeita.
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Mais de um século depois, essas evidências parecem ter surgido: ao reexaminar 46 crânios do local com técnicas forenses modernas, a arqueóloga Roselyn Campbell, da Universidade Purdue, nos EUA, encontrou sinais de morte violenta em 18 dos casos. Segundo o estudo, essas pessoas foram “deliberadamente mortas por golpes na cabeça”.
Seus ferimentos incluem múltiplas fraturas lineares na parte superior do crânio, uma lesão na lateral da cabeça e uma lesão por golpe cortante em um dos olhos. A arma responsável pelas mortes é desconhecida, mas, segundo Campbell, o instrumento mais provável seria plano e leve, feito de madeira em vez de pedra.
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Para aqueles que não tinham lesões, Campbell tem duas teorias: eles podem ter morrido de causas naturais, ou foram mortos por métodos como a asfixia, o que não deixaria marcas no esqueleto.
“Em muitas culturas, pratica-se o sacrifício de servos devido à crença de que eles continuarão a servir o governante em algum tipo de vida após a morte. No entanto, esse sacrifício também pode ser uma demonstração do poder do governante”, diz Campbell à Frontiers. “Alguns podem ter se oferecido voluntariamente. Outros podem ter sido escolhidos ou até mesmo forçados.”
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A prática, porém, não durou muito no Egito Antigo. Embora os governantes da Primeira Dinastia tenham sido sepultados com centenas de servos, o sacrifício humano parece ter terminado na Segunda Dinastia do Egito, por volta de 2730 a.C. Já nesse período, os túmulos acompanhados de cortesãos praticamente desapareceram.
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