Ler Resumo
Introdução
Cientistas usaram fósseis, insetos vivos e alta tecnologia para recriar os sons da Era Jurássica. A minissérie “Os Dinossauros” da Netflix apresenta essas descobertas, revelando um ambiente acústico surpreendente e tons inaudíveis ao ouvido humano.
Netflix lança minissérie com sons jurássicos reconstituídos cientificamente.
Pesquisadores usaram fósseis de asas e insetos vivos para a recriação sonora.
Florestas jurássicas tinham sons de alta frequência e tons puros, inaudíveis para humanos.
Ultrassom entre insetos pode ter surgido milhões de anos antes dos morcegos.
Limitações da pesquisa incluem a dificuldade em deduzir ritmo e cadência dos sons.
Este resumo foi útil?
👍👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Tecnologia de ponta e vestígios fósseis já nos permitem reconstituir com alta precisão onde, com quem e como viviam os seres de milhões de anos atrás. Um elemento, porém, permanece um mistério: a trilha sonora deste período.
Ao contrário do que o cinema nos mostra, a ciência não tem como saber exatamente os sons que animais como dinossauros faziam. Em Jurassic Park (Steven Spielberg, 1993), por exemplo, o famoso rugido do Tiranossauro rex foi criado a partir da desaceleração do latido de um cachorro – sem qualquer embasamento científico.
Três décadas depois, o cineasta americano decidiu se aproximar da ciência. Em “Os Dinossauros”, minissérie da Netflix produzida por Spielberg, a proposta foi ir além e tentar reconstituir, de fato, os sons das florestas da era jurássica (entre 201 milhões e 145 milhões de anos atrás).
O som, claro, não se fossiliza. A estratégia então foi examinar asas fossilizadas e usá-las em experimentos com insetos vivos (e simulações computacionais) para tentar emular os sons de insetos jurássicos. Com a ajuda de tecnologia a laser, os pesquisadores chegaram a medir a vibração, a mecânica e a ressonância das asas.
Continua após a publicidade
O que os pterossauros comiam? Fóssil com refeição preservada revela
Foi assim que eles chegaram à conclusão de que as florestas da época tinham “um ambiente acústico extremamente movimentado” e alcançavam frequências tão baixas que seriam inaudíveis para o ouvido humano.
Continua após a publicidade
Muitos dos sons também apresentavam uma faixa de frequência estreita – o que especialistas chamam de tom puro. Para os ouvidos humanos, a título de comparação, eles seriam como apitos agudos e límpidos, bem longe dos zumbidos produzidos por alguns insetos atualmente.
Essa característica pode ter ajudado a espécie a se comunicar em lugares barulhentos, enquanto dificultava a tarefa de predadores de encontrarem sua localização exata. Os resultados desses esforços podem ser vistos na série, no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences e no vídeo abaixo.
Continua após a publicidade
Insetos da era jurássica
No estudo, os pesquisadores analisaram 20 fósseis pertencentes a nove espécies ancestrais de tetigoniídeos (mais conhecidos como “esperanças”) e de grilos, que viveram no mesmo local onde hoje fica a Mongólia Interior, na China. Isso permitiu reconstituir um grupo de animais que compartilhava o mesmo ambiente jurássico.
Continua após a publicidade
Primeiro, a equipe testou seus modelos em grilos, esperanças e parentes próximos atuais, usando lasers para medir como suas asas vibram. Em seguida, aplicaram esses modelos às asas fossilizadas e cruzaram os resultados com as frequências de som previstas para os insetos vivos. As simulações computacionais, por sua vez, ajudaram a estimar a velocidade em que insetos extintos voavam.
Uma dessas reconstituições, inclusive, pode ter resultado em uma descoberta evolutiva: morcegos talvez não sejam os primeiros animais a usar comunicação por ultrassons. Nesse bate-papo, animais utilizam ondas sonoras de alta frequência, acima do limite da audição humana (20.000 Hz), para trocarem informações entre si. E é justamente a comunicação por ultrassom que foi encontrada em um dos exemplos das florestas jurássicas.
Continua após a publicidade
Pesquisadores apontam para um parente dos esperanças, o Sigmaboilus peregrinu, como o animal mais antigo a se comunicar por ultrassom. Segundo seus cálculos, a espécie produzia sons entre 20.000 e 22.000 hertz.
Mas os pesquisadores admitem que a reconstituição tem limitações. Ainda que o fóssil mostre o tom e o som básico emitido pelo inseto, ele não deduz a cadência nem o ritmo do som – que são aspectos fundamentais na comunicação desses animais. Esse ritmo depende do sistema nervoso e do movimento das asas, que não ficam preservados nos fósseis.
AS MAIS LIDAS DA SEMANA
Toda sexta, uma seleção das reportagens que mais bombaram no site da Super ao longo da semana.
Inscreva-se aqui
Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá nossas newsletters pela manhã de segunda a sexta-feira.
