Pesquisadores revelam que cratera misteriosa em SP foi causada por asteroide de zircão

Pesquisadores revelam que cratera misteriosa em SP foi causada por asteroide de zircão

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Introdução
Pesquisadores da USP e do Instituto de Pesquisas Ambientais confirmam a origem da Cratera de Colônia, em Parelheiros (SP): foi formada pelo impacto de um asteroide. A descoberta, publicada na revista Earth and Planetary Science, desvendou o mistério que pairava sobre o patrimônio geográfico da capital.

Cratera de Colônia, em Parelheiros, é um patrimônio geográfico singular de SP.
Estudo da USP e IPA confirma origem por impacto de um asteroide, não por vulcão.
Mineral zircão, presente nas amostras, revelou marcas de pressão e temperatura do choque.
É o primeiro registro de zircão associado a um impacto por asteroide no Brasil.
A Cratera de Colônia é uma das poucas estruturas de impacto habitadas no mundo.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

No extremo da zona Sul de São Paulo, durante o início da década de 1960, imagens de satélite revelaram uma paisagem singular no distrito de Parelheiros. Uma depressão circular, com aproximadamente 3,6 quilômetros de diâmetro e cerca de 300 metros de profundidade, abrigava quase todo o bairro de Vargem Grande.
Desde então, a Cratera de Colônia (como ficou conhecida) virou o principal patrimônio de raridades geográficas da capital do Estado – tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) em 2003. Ainda assim, especialistas mantinham dúvidas sobre qual seria a origem do impacto. Havia a hipótese de que ele teria sido causada por um corpo celeste, como um cometa ou meteoro, mas também poderia ser a boca de um vulcão extinto.

Agora, um artigo publicado na revista Earth and Planetary Science confirma que a cratera resulta do impacto de um corpo celeste há milhões de anos: trata-se de um asteroide. 

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) chegaram à conclusão graças a um mineral presente nas amostras extraídas da cratera. Os grãos de zircão, como são chamados, são capazes de preservar marcas de eventos extremos de pressão e temperatura. 

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O estudo observa que as deformações encontradas no mineral são compatíveis com o choque do impacto de um asteroide. Vale dizer que a origem do zircão não é extraterrestre, ou seja, ele já estava presente nas rochas antes do impacto. 
Até hoje, é a primeira vez que há registro da presença de zircão em um impacto por asteroide no Brasil. 

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Asteroide em Vargem Grande
Em 2013, o geólogo Victor Velázquez Fernandez, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, autor do estudo, começou a estudar as peculiaridades da cratera. Foi graças a seus primeiros trabalhos que a estrutura passou a integrar, oficialmente, o registro internacional de crateras. À época, ele já havia achado vestígios que comprovavam que a cratera era resultado da queda de um corpo extraterrestre.
Inclusive, o ponto de referência inicial dos pesquisadores, o bairro Colônia, do lado de Vargem Grande, acabou nomeando a estrutura tempos depois – a Cratera Colônia. O local, que é uma das únicas estruturas de impactos de asteroide habitadas no mundo, abriga cerca de 40 mil a 60 mil pessoas. 

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Desde o impacto original, que os autores não têm certeza quando foi, a cratera foi preenchida com sedimentos e restos de vegetação. Essa ocupação, porém, também foi responsável por destruir evidências macroscópicas ligadas ao fenômeno. 
Sendo assim, a alternativa dos pesquisadores foi recorrer às análises microscópicas. Eles observaram cicatrizes internas e outras deformações causadas pelo choque em um conjunto de amostras de zircão coletadas.

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Seis grãos de zircão (de um total de 40) foram escolhidos com base em seu estado de preservação e grau de deformação para passarem por uma caracterização microscópica detalhada. Neles, as deformações indicavam ser resultado de ondas de choque – o que seria uma confirmação de que elas foram produzidas pelo choque do impacto do asteroide, e não por uma atividade tectônica ou metamorfismo, já que excedem o tipo de deformação produzida por um evento endógeno de pressão.
Agora, os próximos passos do estudo incluem outros tipos de técnicas, como a datação. Com isso, os pesquisadores esperam ter uma ideia mais clara de como e quando ocorreu o impacto.

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