A relação entre o uso de redes sociais por crianças e o desempenho escolar, segundo novo estudo

A relação entre o uso de redes sociais por crianças e o desempenho escolar, segundo novo estudo

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Introdução
Uma nova pesquisa aponta que quanto mais cedo crianças e adolescentes criam perfis em redes sociais, pior pode ser seu desempenho acadêmico. O estudo, publicado na Nature Human Behaviour, analisou mais de 5 mil estudantes e ligou o uso precoce a notas mais baixas em matérias essenciais.

92% dos jovens brasileiros entre 9 e 17 anos usam a internet e redes sociais.
Pesquisa investiga a relação entre idade de entrada nas redes e desempenho acadêmico.
Estudantes que iniciaram cedo nas redes sociais tiveram rendimento escolar inferior.
Diferenças em notas de matemática e português podem equivaler a seis meses de atraso.
A presença constante de smartphones é apontada como fator de distração nos estudos.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Em 2022, 92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos usavam a internet, e 86% deles tinham pelo menos um perfil em redes sociais. Os dados são de um levantamento da TIC Kids Online de 2022, ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. O País é um dos que mais utiliza redes sociais e telas no mundo – os brasileiros entre 16 e 64 anos passam, em média, 9 horas por dia conectados à internet. 
Diante desse cenário, a ciência vem investigando os impactos do excesso de telas na saúde, principalmente em crianças. Alguns já são bem conhecidos, como problemas de concentração, de sono, de visão e de saúde mental, além de sedentarismo e outros fatores.

Mas ainda há poucos estudos sobre o impacto da idade em que crianças e adolescentes criam suas primeiras contas em redes sociais – uma prática comum que, muitas vezes, ocorre antes da idade mínima permitida por essas plataformas. Instagram e TikTok, por exemplo, populares entre crianças e pré-adolescentes, têm a classificação indicativa de 16 anos de idade.

Uma nova pesquisa com jovens italianos aponta que estudantes que criaram contas em redes sociais mais cedo apresentaram desempenho escolar inferior ao daqueles que esperaram mais alguns anos para começar a utilizá-las.
Os resultados foram publicados em 3 de agosto no periódico científico Nature Human Behaviour. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados de mais de 5 mil estudantes de entre 7 e 16 anos, que responderam a um questionário sobre o uso de mídias digitais ao longo da vida e realizaram provas padronizadas de italiano, inglês e matemática.

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Em seguida, compararam os alunos que criaram sua primeira conta entre a 6ª, a 7ª e a 8ª séries com aqueles que só passaram a usar redes sociais a partir da 9ª série. Apenas 16,3% dos participantes esperaram até a 9ª série para criar uma conta.
Quando comparados a esse grupo, os estudantes que ingressaram nas redes sociais ainda na 6ª série apresentaram notas mais baixas em italiano e matemática ao longo da vida escolar. Na 8ª série, a diferença correspondia a 0,22 desvio-padrão em italiano e 0,18 desvio-padrão em matemática. Na área da educação, diferenças superiores a 0,2 desvio-padrão costumam ser consideradas relevantes e equivalem, aproximadamente, a um atraso de seis meses de aprendizagem. Na 10ª série, a diferença em matemática era ainda maior.

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Os efeitos também apareceram entre os alunos que criaram contas na 7ª e na 8ª séries, embora com uma intensidade levemente menor. Ou seja: quanto mais cedo os estudantes começaram a usar redes sociais, maior foi a associação com um desempenho acadêmico inferior.
Curiosamente, os pesquisadores não observaram diferenças significativas nas notas de inglês. Uma possível explicação é a grande presença de conteúdos nesse idioma nas próprias redes sociais.

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“Os resultados fornecem evidências convincentes de que o engajamento precoce com as mídias sociais afeta negativamente a aprendizagem. Também encontramos evidências de que uma parte substancial desse efeito é mediada pela presença constante dos smartphones na vida dos estudantes em momentos-chave do dia”, escrevem os autores em trecho do estudo.
Uma das hipóteses levantadas é que a checagem frequente de notificações durante momentos de estudo funcione como um importante fator de distração.
Os autores ressaltam, porém, que o estudo possui limitações. A pesquisa não analisou fatores como o desempenho escolar dos alunos antes da criação das contas, a estrutura familiar ou a escolaridade dos pais, o que abre espaço para investigações futuras capazes de esclarecer melhor essa relação.

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