Os primeiros hominídeos canibais comiam adultos – além de crianças

Os primeiros hominídeos canibais comiam adultos – além de crianças

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Introdução
Novas descobertas em caverna espanhola revelam que o canibalismo entre o Homo antecessor não se limitava a crianças, mas incluía adultos. Fósseis com marcas de corte e mordida humana indicam que a prática, possivelmente por razões nutricionais, era mais abrangente do que se pensava. Entenda a nova dimensão desse comportamento pré-histórico.

Evidências recentes em Gran Dolina, Espanha, aprofundam o estudo do canibalismo pré-histórico.
Fósseis de Homo antecessor indicam que adultos também eram consumidos, não apenas crianças.
Marcas de corte e mordida em ossos confirmam a ingestão por razões nutricionais.
Mesmas técnicas de abate de animais eram aplicadas a humanos.
A descoberta aumenta a compreensão sobre a organização social dessa espécie antiga.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A prática do canibalismo entre os primeiros habitantes da Europa acaba de ganhar uma nova dimensão. Na última semana, arqueólogos anunciaram a descoberta de ossos de hominídeos com marcas de cortes e mordidas da mesma espécie. Os vestígios pertencem a indivíduos da espécie Homo antecessor, que viveu na Europa entre 1,2 milhão e 770 mil anos atrás.
Já se sabia que esse grupo de hominídeos se alimentava de membros da mesma espécie. A surpresa foi que parte dos novos ossos encontrados pertencia a adultos. Até então, os pesquisadores só haviam encontrado evidências de canibalismo em relação a crianças.

A descoberta foi feita na caverna Gran Dolina, que faz parte do complexo arqueológico de Sierra de Atapuerca, no norte da Espanha. Lá, foram encontradas ferramentas de pedra – itens que o Homo antecessor já sabia fabricar –, compatíveis com as marcas de corte identificadqw nos ossos humanos. Junto a elas, havia fragmentos de crânio, coluna vertebral e ossos dos braços e das pernas, acompanhados de três dentes. 

Assim, ao que tudo indica, o Homo antecessor seria o parente humano mais antigo a consumir membros da própria espécie por razões nutricionais. Foi o que informou o IPHES (Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social) em comunicado publicado.
“A descoberta de mais indivíduos adultos, alguns dos quais também apresentam marcas de corte, demonstra que o canibalismo não se restringia a indivíduos mais jovens”, afirmou no comunicado Palmira Saladié, antropóloga biológica do IPHES que coordenou o trabalho.

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Nas últimas décadas, pesquisadores encontraram na caverna diversos fósseis com sinais de canibalismo. Todos, porém, eram de crianças e jovens. A explicação mais aceita era que membros mais novos de grupos rivais seriam alvos mais fáceis, por serem indefesos.
Agora, o número de indivíduos encontrados subiu para pelo menos 13, sendo que cerca de metade deles são adultos. “O aumento no número de indivíduos, e especialmente a inclusão de mais adultos, nos permite começar a compreender essa população sob uma perspectiva muito mais completa do que nunca”, disse no comunicado Andreu Ollé, arqueólogo do IPHES.

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Evidências de canibalismo em Gran Dolina
Há muitas evidências de canibalismo na caverna espanhola. Alguns dos ossos, por exemplo, apresentavam marcas de mordidas humanas, o que seria a evidência mais confiável de que os corpos encontrados no local foram, de fato, consumidos. Arqueólogos também encontraram um “padrão” na prática: as mesmas técnicas de abate nos ossos de animais também foram aplicadas aos humanos.
Ainda assim, o motivo pelo qual o Homo antecessor consumia membros da mesma espécie não é claro para pesquisadores. Eles esperam que novas análises os ajudem a compreender melhor essa prática. 
O próximo passo, segundo o comunicado, é investigar questões como diferenças relacionadas à idade na prática do canibalismo, a quantidade e a duração dos episódios de canibalismo, além da organização social do grupo. 

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O Homo antecessor não é exatamente um ancestral direto nosso. Quando os fósseis da espécie foram descobertos em Atapuerca em 1997, acreditava-se que ele seria o possível último ancestral comum entre humanos modernos e neandertais. Em 2020, porém, paleoantropólogos demonstraram por meio da análise de proteínas antigas que a espécie é, no máximo, um grupo irmão ou um parente muito próximo do Homo sapiens. 
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