Os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo a crítica nacional

Os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo a crítica nacional

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) revisou sua lista dos cem filmes mais importantes do cinema brasileiro. A atualização acontece pouco mais de uma década depois da primeira versão, publicada em 2015, e passa a incluir produções lançadas nos últimos anos.
Entre as novidades estão Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, e O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, que representaram o Brasil na disputa recente pelo Oscar. A nova seleção também traz títulos contemporâneos como Marte Um (2022), de Gabriel Martins, e As Boas Maneiras (2017), de Juliana Rojas e Marco Dutra.

Ao contrário da lista original (que tinha como campeão Limite, filme de Mário Peixoto de 1931), a Abraccine abandonou a ideia de ranking. Em vez disso, a entidade optou por apresentar as obras numa lista por ordem de lançamento.
O percurso começa nos anos 1930 e atravessa diferentes fases do cinema nacional, passando pelo cinema de estúdio dos anos 1950, pelo Cinema Novo, pelo cinema marginal e pela retomada dos anos 1990, até chegar às produções mais recentes.

A seleção inclui produções bastante conhecidas, como Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha, Central do Brasil (1998), de Walter Salles, e O Auto da Compadecida (2000), de Guel Arraes.

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Mas a atualização também abre mais espaço para obras que ganharam relevância crítica nos últimos anos, incluindo filmes dirigidos por mulheres, pessoas negras e cineastas de fora do eixo tradicional Rio-São Paulo.
Segundo Orlando Margarido, presidente da Abraccine, a revisão reflete mudanças ocorridas tanto na associação quanto no debate sobre cinema brasileiro ao longo da última década.
“A sociedade mudou, assim como o perfil da associação, que naturalmente cresceu e se modificou. É uma revisão importante e necessária da nossa história do cinema”, afirmou à Folha.

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Um dos exemplos dessa ampliação é a presença de Amor Maldito (1984), dirigido por Adélia Sampaio. O longa é reconhecido como o primeiro da história do País dirigido por uma mulher negra e passou a receber mais atenção de críticos e mostras de cinema nos últimos anos.
A atualização da lista faz parte das comemorações de 15 anos da Abraccine. A entidade também prepara um livro sobre os cem filmes escolhidos, previsto para o fim do ano pela editora Letramento.
Confira a lista completa: 

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Limite (1931), de Mário Peixoto
Ganga Bruta (1933), de Humberto Mauro
O Ébrio (1946), de Gilda de Abreu
Também Somos Irmãos (1949), de José Carlos Burle
Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle
O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto
Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos
Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos
O Grande Momento (1958), de Roberto Santos
O Homem do Sputnik (1959), de Carlos Manga
Aruanda (1960), de Linduarte Noronha
O Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias
O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte
Os Cafajestes (1962), de Ruy Guerra
Porto das Caixas (1962), de Paulo Cezar Saraceni
Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos
À Meia Noite Levarei Sua Alma (1964), de José Mojica Marins
A Velha a Fiar (1964), de Humberto Mauro
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha
Noite Vazia (1964), de Walter Hugo Khouri
Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra
A Falecida (1965), de Leon Hirszman
A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos
São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Luiz Sergio Person
A Entrevista (1966), de Helena Solberg
O Padre e a Moça (1966), de Joaquim Pedro de Andrade
Todas as Mulheres do Mundo (1966), de Domingos de Oliveira
A Margem (1967), de Ozualdo Candeias
Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), de José Mojica Marins
O Caso dos Irmãos Naves (1967), de Luiz Sergio Person
O Menino e o Vento (1967), de Carlos Hugo Christensen
Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha
O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla
A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla
Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade
Matou a Família e Foi ao Cinema (1969), de Julio Bressane
O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha
O Despertar da Besta (Ritual dos Sádicos) (1970), de José Mojica Marins
Sem Essa, Aranha (1970), de Rogério Sganzerla
Um É Pouco, Dois É Bom (1970), de Odilon Lopez
Bang Bang (1971), de Andrea Tonacci
S. Bernardo (1972), de Leon Hirszman
Toda Nudez Será Castigada (1972), de Arnaldo Jabor
Alma no Olho (1973), de Zózimo Bulbul
Compasso de Espera (1973), de Antunes Filho
Os Homens Que Eu Tive (1973), de Tereza Trautman
A Rainha Diaba (1974), de Antonio Carlos da Fontoura
Iracema, Uma Transa Amazônica (1975), de Jorge Bodanzky e Orlando Senna
Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto
Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977), de Hector Babenco
Mar de Rosas (1977), de Ana Carolina
A Lira do Delírio (1978), de Walter Lima Jr.
Tudo Bem (1978), de Arnaldo Jabor
A Mulher Que Inventou o Amor (1980), de Jean Garrett
Bye Bye Brasil (1980), de Carlos Diegues
O Homem Que Virou Suco (1980), de João Batista de Andrade
Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980), de Hector Babenco
Eles Não Usam Black-Tie (1981), de Leon Hirszman
Os Saltimbancos Trapalhões (1981), de J.B. Tanko
Das Tripas Coração (1982), de Ana Carolina
Pra Frente Brasil (1982), de Roberto Farias
Onda Nova (1983), de Ícaro Martins e José Antonio Garcia
Amor Maldito (1984), de Adélia Sampaio
Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho
Memórias do Cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos
A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral
A Marvada Carne (1985), de André Klotzel
Filme Demência (1986), de Carlos Reichenbach
Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado
Que Bom Te Ver Viva (1989), de Lúcia Murat
Superoutro (1989), de Edgard Navarro
Alma Corsária (1993), de Carlos Reichenbach
Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995), de Carla Camurati
Terra Estrangeira (1995), de Daniela Thomas e Walter Salles
Baile Perfumado (1996), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas
Central do Brasil (1998), de Walter Salles
O Auto da Compadecida (2000), de Guel Arraes
Bicho de Sete Cabeças (2001), de Laís Bodanzky
Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho
Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund
Edifício Master (2002), de Eduardo Coutinho
Madame Satã (2002), de Karim Aïnouz
Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes
O Céu de Suely (2006), de Karim Aïnouz
Serras da Desordem (2006), de Andrea Tonacci
Jogo de Cena (2007), de Eduardo Coutinho
Saneamento Básico, o Filme (2007), de Jorge Furtado
Santiago (2007), de João Moreira Salles
Trabalhar Cansa (2011), de Juliana Rojas e Marco Dutra
O Som ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho
O Menino e o Mundo (2013), de Alê Abreu
Branco Sai, Preto Fica (2014), de Adirley Queirós
Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert
Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho
Arábia (2017), de Affonso Uchoa e João Dumans
As Boas Maneiras (2017), de Juliana Rojas e Marco Dutra
Marte Um (2022), de Gabriel Martins
Mato Seco em Chamas (2022), de Adirley Queirós e Joana Pimenta
Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles
O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho

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