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Introdução
Desde os anos 70, a expansão agropecuária do Brasil liberou 5,2 bilhões de toneladas de CO₂ do solo — o equivalente a 70% das emissões anuais da frota global de carros. Entenda por que lavouras e monoculturas perdem mais carbono que a vegetação nativa e descubra as soluções para mitigar esse impacto.
A agropecuária brasileira liberou 5,2 bilhões de toneladas de CO₂ do solo, o equivalente a 70% das emissões anuais de carros globais.
Lavouras e pastagens armazenam menos carbono que a vegetação nativa devido ao revolvimento do solo e maior exposição.
O clima e tipo de solo influenciam: Mata Atlântica retém mais carbono que Caatinga (quente) e Pantanal (solos arenosos).
Monoculturas contribuem mais para a liberação de CO₂ devido à intensa intervenção mecânica no solo.
Estratégias como sucessão de culturas e plantio direto ajudam a reter carbono, mantendo o solo coberto e mais frio.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A parir dos anos 1970, o Brasil se tornou uma superpotência agropecuária. Mas isso, como aponta um novo estudo (1), também teve um lado ruim: diminuiu em 5,2 bilhões de toneladas a quantidade total de CO₂ armazenada no solo do País.
É muita coisa: equivale a 70% do carbono gerado, em um ano, por toda a frota mundial de automóveis. Conversamos com João Marcos Vilela, pesquisador da Esalq/USP e um dos autores do trabalho, para entender.
Lavouras e pastagens armazenam menos carbono que a vegetação nativa. Por quê?Na vegetação nativa, normalmente há o ciclo de troca de folhas, e essa matéria orgânica é depositada no solo. Se você converte a área para a agricultura, vai revolver o solo com arados. Essa movimentação faz com que o carbono que estava retido ali seja liberado para a atmosfera, porque você esfarela esse material orgânico. E o solo fica mais exposto, o que eleva a atividade de fungos e bactérias decompositoras, que também contribuem para a liberação de CO₂.
O solo da Mata Atlântica armazena 154% mais carbono por hectare que o solo do Pantanal, e 62% a mais que o solo da Caatinga. Por quê?A Mata Atlântica tem clima mais frio, o que influencia [desacelera] a decomposição de matéria orgânica. Na Caatinga, nós temos altas temperaturas, e a atividade microbiana é muito mais acelerada. Já os solos do Pantanal são pobres, bem arenosos [e retêm menos matéria orgânica].
O estudo apontou que a monocultura (plantar uma única espécie vegetal em determinada área) prejudica mais a retenção de carbono do que outros sistemas de cultivo. Por quê?A monocultura vem junto com uma agricultura intensificada em termos de máquinas, com todo aquele processo de revolvimento do solo. Quando você tem uma monocultura, o solo sofre mais intervenções, e há maior liberação de CO₂ para o ambiente.
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O que poderia ser feito para compensar, ao menos parcialmente, o efeito causado pela atividade agropecuária?A sucessão de culturas, por exemplo. Nesse sistema, você faz o plantio, faz a colheita e deixa parte da matéria orgânica sobre o solo. Você interfere menos no solo, porque não faz o processo de aração novamente. Também há o plantio direto [sem arado], que vai deixando uma camada de palha sobre o solo, reduzindo sua temperatura.
O solo mais coberto tende a ficar mais frio, e com isso reter mais carbono?Exato. A grosso modo, sim.
Fonte 1. “Soil carbon debt from land use change in Brazil”.
