Por que os ornitorrincos são biofluorescentes?

Por que os ornitorrincos são biofluorescentes?

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Introdução
Já estranhos por natureza, ornitorrincos surpreendem novamente: são biofluorescentes. Um estudo revelou que emitem luz azulada sob UV, uma raridade entre mamíferos. A função ainda é um mistério, mas a camuflagem é uma hipótese para este combo de aleatoriedades.

Mamíferos que botam ovos: ornitorrincos são únicos por essa e outras características bizarras, como o bico e esporões venenosos.
Descoberta recente: em 2020, foi revelado que os ornitorrincos são biofluorescentes, emitindo luz azul sob luz ultravioleta.
Raridade entre mamíferos: é o primeiro mamífero ovíparo (monotremado) encontrado com essa capacidade, sendo mais comum em peixes e anfíbios.
Função ainda incerta: cientistas especulam que o brilho pode ajudar na camuflagem contra predadores que enxergam UV.
Não relacionado à reprodução: a característica está presente em machos e fêmeas, descartando a função reprodutiva como principal hipótese.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Ornitorrincos sempre foram uma das espécies mais estranhas do mundo: para começo de conversa, são mamíferos que botam ovos, uma característica bastante rara. Possuem bicos achatados, que usam para detectar presas debaixo d’água, membros unidos por membranas (adaptados para nadar) e esporões venenosos nos machos, usados ​​para defesa. Parece um grande combo de aleatoriedades.
Em 2020, uma nova estranheza se somou às outras: um estudo da Northland College descobriu que os ornitorrincos são biofluorescentes, ou seja, emitem uma luz azulada que só é visível sob luz ultravioleta (UV).

A biofluorescência ocorre quando moléculas específicas de um organismo — chamadas fluoróforos — absorvem luz de menor comprimento de onda (como luz azul, violeta ou ultravioleta) e reemitem essa energia como luz de maior comprimento de onda, geralmente na faixa visível do espectro para os humanos, como verde, amarelo ou vermelho.

Trata-se de uma característica comum em peixes, anfíbios, aves e répteis, porém bastante rara em mamíferos. Esse estudo trouxe a primeira evidência de biofluorescência em mamíferos ovíparos, também conhecidos como monotremados. Antes dessa descoberta, a biofluorescência era conhecida em apenas dois bichos dessa classe: os esquilos-voadores, que são mamíferos placentários, e os gambás, que são marsupiais.
Agora, o porquê de os ornitorrincos brilharem ainda permanece um mistério. Os cientistas perceberam que tanto as fêmeas como os machos apresentam a característica, portanto acreditam que não se trata de um traço relacionado à reprodução. Esses animais também usam pouco a visão, o que enfraquece a possibilidade de que seja um meio de identificar uns aos outros.

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Os pesquisadores especulam que, assim como acontece em alguns crustáceos, a biofluorescência possa ser uma forma de reduzir a visibilidade dos ornitorrincos para predadores que enxergam a luz ultravioleta, facilitando a camuflagem. Muitos animais, incluindo a maioria das aves, conseguem enxergar em luz ultravioleta. Os predadores naturais do ornitorrinco incluem peixes grandes como o bacalhau-de-murray, aves de rapina e dingos (cães selvagens da Austrália).
“Se houver alguma função ecológica, provavelmente está relacionada às interações entre ornitorrincos e outras espécies. No entanto, existe a possibilidade de que essa característica tenha pouca ou nenhuma função ecológica. Somente pesquisas adicionais poderão dizer”, afirmou Erik Olson, um dos autores do estudo.

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