Cientistas brasileiros criam o primeiro porco clonado da América Latina; entenda

Cientistas brasileiros criam o primeiro porco clonado da América Latina; entenda

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Introdução
Com 78 mil pessoas na fila esperando doação de órgãos, o Brasil avança em xenotransplantes. A USP, via XenoBR, clonou o primeiro porco da América Latina, geneticamente modificado para compatibilidade humana. Um passo crucial para viabilizar órgãos acessíveis pelo SUS no futuro.

Brasil possui uma das maiores filas de espera por transplantes, com 78 mil pacientes em busca de órgãos em 2025.
Xenotransplantes surgem como alternativa global, com porcos sendo a opção mais viável por sua semelhança.
O Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR) da USP produziu o primeiro porco clonado da América Latina.
O animal foi geneticamente modificado, com três genes suínos inativados e sete humanos inseridos para compatibilidade.
O objetivo é desenvolver tecnologia nacional e viabilizar o procedimento pelo SUS, tornando-o acessível à população.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

O Brasil possui um dos maiores programas públicos de transplante de órgãos do mundo. Segundo o Ministério da Saúde, somente em 2024, o SUS realizou mais de 30 mil procedimentos desse tipo. Um dos problemas, porém, é que a fila de espera de pessoas que aguardam uma doação é muito maior do que a quantidade de órgãos disponíveis. Em 2025, 78 mil pacientes estavam na fila em busca de, principalmente, rins, córneas e fígados.
Conseguir um doador compatível pode levar meses ou até anos – e é assim no mundo todo. É nesse contexto que surge a ideia dos xenotransplantes, uma técnica inovadora em que órgãos ou tecidos de animais geneticamente modificados são transplantados em humanos.

Os porcos são uma das opções mais viáveis, pois seus órgãos têm tamanhos semelhantes aos dos humanos e apresentam menor risco de transmissão de infecções (primatas, por serem parentes próximos, carregam muitos patógenos que também atacam os sapiens). Esses animais também são domesticados e possuem alta capacidade reprodutiva, com poucos meses de gestação e a capacidade de produzir muitos filhotes.

O processo de xenotransplante não é nada simples, claro, e vem sendo estudado pela medicina desde o século 20. Primeiro, é necessário modificar geneticamente os porcos, editando seu genoma para remover as principais características que podem causar rejeição imunológica em humanos. A partir daí, os animais são clonados, criados em ambiente estéril e, só então, têm seus órgãos transplantados para humanos. 
Apesar de alguns casos recentes de xenotransplante, a técnica ainda tem um longo caminho de desenvolvimento científico até, possivelmente, ser implementada de forma ampla nos hospitais. O primeiro transplante de um rim de porco em um humano ocorreu em 2024, nos Estados Unidos.

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Os pioneiros deste campo de estudo são os EUA e a China, mas o Brasil não fica de fora. O país conta, desde 2022, com o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR), da Universidade de São Paulo (USP). 
A proposta da iniciativa é desenvolver uma tecnologia de xenotransplante nacional, produzindo porcos geneticamente modificados para transplantes em humanos. O objetivo final é que o procedimento possa ser viabilizado pelo SUS no futuro, algo que dificilmente ocorreria caso a tecnologia fosse exclusivamente estrangeira, devido aos custos elevados.
Depois de anos de estudo e várias tentativas do XenoBR, o primeiro sucesso veio: os pesquisadores conseguiram, em março deste ano, produzir o primeiro porco clonado da América Latina. Esse passo é um dos mais complexos do xenotransplante, especialmente porque o Brasil ainda tinha pouca experiência na clonagem de suínos.

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– (Docme Comunicação para Genoma USP/Divulgação)

A equipe realizou as modificações genéticas por meio da tecnologia de edição CRISPR/Cas9 e técnicas de inserção gênica de precisão. As edições são feitas em embriões de porcos de uma linhagem que, com apenas sete meses de vida, já atinge o tamanho ideal para transplantes.
Eles inativaram três genes suínos associados à rejeição imunológica e inseriram sete genes humanos, tornando os órgãos do porco mais compatíveis com o organismo do receptor. 

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Essas técnicas de edição genética já haviam sido dominadas pelos pesquisadores em 2022. Desde então, eles estavam focados no desafio seguinte, que é a realização da clonagem – ou seja, implantar o embrião modificado em uma fêmea que gestará e dará à luz ao filhote. Esse processo, no entanto, é complexo e costuma falhar com frequência. É preciso de uma série de tentativas até que a gestação se complete com sucesso.
O primeiro clone saudável nasceu em 2026, em Piracicaba, no interior de São Paulo, no Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios. Nesse caso, o embrião foi implantado em fêmeas híbridas das linhagens Landrace e Large White.
O porco clonado será mantido em dois laboratórios de produção de suínos, um no campus da USP, em São Paulo, e outro no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). As instalações têm um alto nível de biossegurança, projetadas para minimizar o risco de transmissão de vírus, bactérias e outros agentes.

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No momento, outras gestações estão em andamento, segundo os pesquisadores, e novos porquinhos geneticamente modificados podem vir em breve. A ideia é formar diversos casais de porcos, que possam se reproduzir naturalmente. Com isso, novos estudos irão avaliar se é necessário ajustar ainda mais as modificações genéticas e refazer o processo de clonagem.
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