O Sistema Solar foi gerado a partir de um disco de gás e poeira (às vezes chamado de disco protoplanetário) formado 4,6 bilhões de anos atrás. Todos os oito planetas desse Sistema orbitam o Sol na mesma direção da rotação solar, que, por sua vez, é herdada do sentido de rotação do momento angular desse disco — se você tomar o polo norte do Sol como referência, visto de cima, é o sentido anti-horário.
Seis dos planetas também giram em torno do próprio eixo nessa mesma direção. As exceções são Vênus e Urano, por isso se diz que eles têm “rotação retrógrada”.
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Vênus
Para Vênus, não existe uma explicação definitiva, apenas hipóteses. Uma delas é de que o planeta tenha sofrido uma ou mais colisões catastróficas que tenham alterado o sentido de sua rotação. Diferentemente da Terra, que ganhou um satélite a partir de sua colisão (a Lua), Vênus teria absorvido a massa desses asteroides e mudado sua rotação devido à força do impacto.
Outra hipótese, mais fundamentada e apresentada ainda na década de 1980, é que Vênus está sendo “puxado” e “empurrado” ao mesmo tempo por duas forças diferentes — e o jeito como ele gira hoje é o resultado desse cabo de guerra.
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Por um lado, o Sol puxa Vênus com sua gravidade, que cria pequenas deformações no planeta (como marés), que, ao longo do tempo, funcionam como um freio: vão desacelerando a rotação e tentam fazer o planeta ficar sempre com o mesmo lado voltado para o Sol.
Por outro, a atmosfera extremamente densa de Vênus é aquecida pelo Sol, o que cria “ondas” gigantes que geram um tipo de empurrão contínuo no planeta. Esse empurrão acontece no sentido contrário ao dos outros planetas, daí a rotação retrógrada.
Como resultado dessas duas forças, Vênus gira de forma extremamente lenta (um dia em Vênus dura mais de 243 dias terrestres) e no sentido oposto da maioria dos planetas.
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Urano
O segundo caso é menos complexo, mas também ainda não há consenso definitivo. Urano tem uma inclinação axial de 97,77°, fazendo seu eixo de rotação ficar quase paralelo ao plano orbital. Na prática, o planeta “rola” em torno do Sol (em comparação, a inclinação axial da Terra é de 23,4°).
A explicação mais provável (e ainda assim, apenas uma hipótese) é que um grande objeto deve ter colidido com Urano e o “derrubado” de lado. Quando isso aconteceu, pedaços de matéria foram ejetados do planeta e se acumularam gradualmente, formando os 29 satélites que orbitam Urano.
E tem mais: pesquisas recentes sugerem que Urano pode ter sofrido não apenas um, mas dois impactos massivos no início de sua história, o que explicaria tanto seu extremo ângulo axial quanto a órbita equatorial de suas luas (elas giram ao redor do planeta no mesmo plano do equador dele, o que é curioso, já que Urano está deitado).
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Os autores desse estudo argumentam que, se houvesse ocorrido apenas um impacto, as luas de Urano orbitariam em sentido retrógrado — o contrário do que se observa. Segundo alguns modelos, apenas com múltiplos impactos gigantes seria possível explicar por que Urano manteve suas luas se movendo na direção correta.
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