Quem são os cientistas brasileiros na lista da Time das 100 pessoas mais influentes de 2026

Quem são os cientistas brasileiros na lista da Time das 100 pessoas mais influentes de 2026

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Introdução
Dois cientistas brasileiros, Luciano Moreira e Mariangela Hungria, foram eleitos entre as 100 pessoas mais influentes pela Time em 2026. Suas pesquisas inovadoras em combate à dengue (Moreira) e agricultura sustentável (Hungria) transformam a vida de milhões, mostrando o impacto da ciência nacional.

Cientistas brasileiros Luciano Moreira e Mariangela Hungria na lista de 100 pessoas mais influentes da revista Time em 2026.
Luciano Moreira inova no combate à dengue com mosquitos que carregam a bactéria Wolbachia, reduzindo casos em até 89%.
Mariangela Hungria desenvolve microrganismos para fixação biológica de nitrogênio, diminuindo o uso de fertilizantes químicos.
A tecnologia de Hungria gera economia de US$ 25 bilhões anuais e evita 230 milhões de toneladas de CO2 no Brasil.
Ambos têm pesquisas com impacto global, reconhecidos por instituições como Nature e World Food Prize.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Dois cientistas brasileiros estão entre as 100 pessoas mais influentes do mundo na lista de 2026 da revista americana Time: o entomologista Luciano Moreira e a engenheira agrônoma Mariangela Hungria.
Todos os anos, a publicação destaca personalidades que “estão moldando áreas como ciência, cultura, política e tecnologia”. Na edição atual, Moreira aparece na categoria “Inovadores”. Hungria, entre os “Pioneiros”. 

Os dois atuam em campos diferentes da ciência, mas têm algo em comum: pesquisas que saíram do laboratório e passaram a produzir impacto na vida de milhões de pessoas. Vamos conhecê-las.

Mosquitos modificados
A dengue é transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. Mas nem todo mosquito espalha a doença. Para que isso aconteça, o inseto precisa ser fêmea (são elas que picam as pessoas para obter sangue) e precisa estar infectado com o vírus da dengue.
O mosquito se infecta ao picar uma pessoa que já está com dengue. Durante a picada, ele suga sangue para nutrir os ovos. Se esse sangue contém o vírus, o patógeno entra no organismo do mosquito.
Nos dias seguintes, o vírus se multiplica dentro do inseto e se espalha até as glândulas salivares. A partir daí, quando o mosquito pica outra pessoa para se alimentar, pode inocular o vírus junto com a saliva e iniciar uma nova infecção.

Por que não podemos extinguir todos os mosquitos?

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Durante décadas, o combate ao Aedes aegypti seguiu basicamente um caminho: tentar reduzir a população do mosquito. Campanhas de saúde pública se concentram em eliminar água parada – locais onde o inseto deposita seus ovos – e no uso de inseticidas.
Essas estratégias funcionam até certo ponto, claro. Mesmo assim, o Brasil continua registrando grandes surtos de dengue, além de epidemias ocasionais de outras doenças transmitidas pelo mesmo mosquito, como zika e chikungunya.
O trabalho liderado por Luciano Moreira parte de outra lógica. Em vez de exterminar o mosquito, a ideia é impedir que ele consiga transmitir o vírus.
Moreira é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e atua no Programa Mundial de Mosquitos. O método desenvolvido por sua equipe usa uma bactéria chamada Wolbachia. Ela é comum na natureza e vive dentro das células de vários insetos, como a mosca-da-fruta. O Aedes aegypti, porém, não carrega essa bactéria naturalmente.
Os pesquisadores então passaram a introduzir a Wolbachia nos ovos do mosquito em laboratório. Quando o inseto nasce com essa bactéria no corpo, os vírus da dengue, da zika e da chikungunya passam a ter dificuldade para se multiplicar dentro dele.

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Sem conseguir se reproduzir bem no organismo do mosquito, o vírus praticamente perde a capacidade de ser transmitido às pessoas. Assim, ele continua vivendo normalmente e segue se reproduzindo. A diferença é que deixa de ser um vetor eficiente da doença.
E tem mais um detalhe. Quando mosquitos com Wolbachia se reproduzem, a bactéria é transmitida para os filhotes. Com o tempo, a característica tende a se espalhar pela população local de mosquitos.
Moreira participou do desenvolvimento dessa abordagem ao longo de mais de duas décadas. O projeto começou a ser implantado no Brasil em 2012 e foi sendo ampliado gradualmente.
Hoje, mosquitos com Wolbachia já foram liberados em 16 cidades. Estudos feitos nesses locais indicam reduções significativas nos casos de dengue. Em alguns municípios, a queda chegou a 89%.
Para ampliar a escala do projeto, foi criada em Curitiba a maior biofábrica do mundo dedicada à produção desses mosquitos. O complexo produz milhões de insetos que depois são liberados em cidades participantes do programa. A meta é proteger mais de 140 milhões de pessoas na próxima década.

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O trabalho já havia recebido reconhecimento internacional. Em 2025, Moreira entrou na lista “Nature’s 10”, da prestigiada revista científica Nature, que reúne os dez pesquisadores que mais influenciaram a ciência naquele ano. 

Bactérias agrícolas
Enquanto Moreira trabalha com mosquitos e doenças, Mariangela Hungria passou a carreira estudando microrganismos que vivem no solo. Engenheira agrônoma e microbiologista, ela pesquisa há mais de três décadas formas de reduzir o uso de fertilizantes químicos na agricultura.
Esses fertilizantes foram fundamentais para aumentar a produção de alimentos no século 20, uma vez que fornecem nutrientes essenciais às plantas. Mas, quando aplicados em excesso, podem escorrer para rios e lagos e causar poluição.
Além disso, muitos deles são produzidos a partir de combustíveis fósseis, o que contribui para as emissões de gases de efeito estufa.
Hungria buscou uma alternativa inspirada na própria natureza. O nitrogênio é abundante no ar: cerca de 78% da atmosfera é formada por esse gás. O problema é que as plantas não conseguem absorvê-lo diretamente. Para que ele seja utilizado, precisa primeiro ser convertido em outras formas químicas.

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Algumas bactérias do solo, porém, conseguem fazer essa transformação e permitem que as plantas utilizem o elemento químico. Esse processo é chamado de fixação biológica de nitrogênio.
A equipe de Hungria identificou e selecionou microrganismos capazes de realizar esse processo em lavouras agrícolas. Eles são aplicados por meio de um inoculante – um produto que é misturado às sementes no momento do plantio.
Depois que a planta cresce, essas bactérias passam a viver associadas às raízes e ajudam a fornecer nitrogênio para o desenvolvimento da lavoura. Na prática, isso permite reduzir ou até eliminar o uso de fertilizantes nitrogenados.
A tecnologia se espalhou rapidamente no Brasil. Hoje, cerca de 85% das áreas cultivadas com soja no país utilizam esses microrganismos.
O impacto econômico é grande. Estimativas indicam que os agricultores brasileiros economizam cerca de 25 bilhões de dólares por ano com a redução do uso de fertilizantes.

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Há também efeitos ambientais. O uso dessas bactérias ajudou a evitar a emissão de cerca de 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.
Ao longo da carreira, Hungria participou do desenvolvimento de mais de 30 tecnologias e publicou centenas de trabalhos científicos. Ela trabalha na Embrapa desde 1982 e atua principalmente no centro de pesquisa dedicado à soja, em Londrina.
Em 2025, tornou-se a primeira brasileira a receber o World Food Prize, prêmio internacional frequentemente descrito como o “Nobel da agricultura”.
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