Material descartado na endoscopia pode ajudar o diagnóstico de câncer no estômago, diz estudo brasileiro

Material descartado na endoscopia pode ajudar o diagnóstico de câncer no estômago, diz estudo brasileiro

Ler Resumo

Introdução
Pesquisa brasileira inovadora propõe usar o DNA do suco gástrico, coletado durante a endoscopia, como um valioso complemento no diagnóstico de câncer de estômago. A técnica, desenvolvida por médicos do A.C.Camargo Cancer Center, aproveita um material antes descartado para oferecer uma visão mais ampla e auxiliar a biópsia.

A endoscopia é um exame crucial, agora com um novo potencial: o aproveitamento do suco gástrico.
Pesquisa brasileira utiliza fragmentos de DNA no suco gástrico para investigar a presença de câncer de estômago.
A análise do DNA não substitui a biópsia, mas complementa o diagnóstico, especialmente em casos complexos.
A nova técnica oferece uma visão mais abrangente do estômago sem exigir exames adicionais ou riscos ao paciente.
Mais estudos são necessários para padronizar e implementar a abordagem em larga escala nos hospitais.

Este resumo foi útil?

👍👎

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Apesar de exigir um preparo incômodo, a endoscopia é um exame valiosíssimo para avaliar problemas digestivos. Funciona assim: o paciente, que realizou um jejum de cerca de oito horas, é sedado. Em seguida, um tubo flexível com uma pequena câmera na ponta (o endoscópio) é introduzido pela boca até alcançar órgãos do sistema digestivo, como esôfago, estômago e duodeno.
Com as imagens, o médico consegue identificar possíveis anormalidades no interior desses órgãos, como inflamações e tumores. O procedimento dura cerca de 15 minutos e é indolor. 

Um detalhe é que, para garantir imagens mais nítidas, o endoscópio aspira o suco gástrico, um líquido presente no estômago. Na maioria das vezes, esse material é descartado.

Uma nova pesquisa brasileira, porém, mostra que essa talvez não seja a melhor opção. Publicada no periódico científico eLife, propõe uma nova utilidade para esse líquido: utilizá-lo na investigação de câncer de estômago.
Tecidos cancerígenos têm como uma de suas características a liberação de fragmentos de DNA nos fluidos corporais. No caso do câncer no estômago, esse material genético se acumula no suco gástrico.

Continua após a publicidade

Assim, a proposta dos pesquisadores, em sua maioria médicos do A.C.Camargo Cancer Center, é medir a quantidade de DNA presente nesse líquido para ajudar no diagnóstico de câncer.

Café melhora microbiota intestinal, revela estudo

Foram analisados 941 pacientes, alguns sem problemas gástricos, outros com doenças não malignas (como inflamações), além de casos com lesões pré-cancerosas e câncer de estômago já desenvolvido. A concentração de DNA foi notavelmente maior nos pacientes com câncer e aumentava conforme o avanço da doença.

Continua após a publicidade

Mas é preciso ter cautela: essa análise não substitui a boa e velha biópsia (retirada de um pequeno fragmento de tecido para análise), e sim complementa o seu diagnóstico, que muitas vezes é complexo. Como o câncer pode se distribuir de forma irregular no tecido, a biópsia pode resultar em exames inconclusivos e exigir novas investigações.
Já a análise do DNA no suco gástrico oferece uma visão mais ampla, pois o líquido entra em contato com diferentes regiões do estômago. Outro ponto positivo da técnica é que ela não exige um novo exame nem aumenta os riscos ao paciente, e apenas aproveita um material que já é coletado.
A presença desse DNA no suco gástrico não pode ser associada diretamente ao câncer, já que também pode estar relacionada a condições benignas, como gastrite. Sua detecção basicamente levanta uma bandeirinha dizendo que algo está acontecendo, mas não necessariamente o que.

Continua após a publicidade

Em um subgrupo do estudo com pacientes em tratamento para estágios iniciais da doença, o aumento do DNA no suco gástrico indicou uma resposta positiva ao tratamento. Nesse caso, o aumento estaria ligado à ação do sistema imunológico no combate ao tumor.
Mesmo assim, ainda são necessários estudos com um número maior de participantes e a definição de parâmetros mais claros para interpretar os níveis de DNA no suco gástrico para que a abordagem seja incorporada em práticas clínicas.
AS MAIS LIDAS DA SEMANA

Toda sexta, uma seleção das reportagens que mais bombaram no site da Super ao longo da semana.

Inscreva-se aqui

Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá nossas newsletters pela manhã de segunda a sexta-feira.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *