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Introdução
Gárgulas são mais que adornos; surgiram para escoar água de telhados, protegendo prédios góticos. Com origem apotropaica para afastar o mal e educar fiéis, evoluíram de bicas funcionais a figuras ornamentais como as “quimeras”. Uma história fascinante de arquitetura, engenharia e simbolismo que transcende o tempo.
A função original das gárgulas como sistema de drenagem e proteção estrutural de edifícios.
O significado apotropaico das criaturas grotescas para afastar o mal e educar fiéis.
Sua importância na arquitetura gótica medieval e as origens de bicas com rostos na Antiguidade.
A evolução de gárgulas funcionais para elementos puramente ornamentais ao longo do tempo.
A distinção entre gárgulas (com drenagem) e as figuras decorativas conhecidas como “quimeras” ou “grotescos”.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Elas fazem parte do sistema de escoamento de água dos telhados. O nome deriva do francês antigo gargouille (“garganta”), em referência à estrutura por onde o líquido passa. As calhas dos prédios conduzem a chuva até as gárgulas, que despejam a água através de um orifício na boca. Isso evita que a água escorra pela lateral do prédio e danifique a estrutura com o passar do tempo.
(Se você já assistiu à animação O Corcunda de Notre-Dame, da Disney, talvez se lembre desta cena, em que chumbo derretido é despejado pelas ruas de Paris por meio das bocas das gárgulas).
A drenagem era especialmente importante nas construções góticas na Europa dos séculos 12 ao 16, pois a arquitetura ornamentada adicionava mais pontos em que a água poderia se acumular e erodir a estrutura. As gárgulas cumpriam a função prática de escoar a água e ainda faziam sentido com o estilo arquitetônico.
A ideia de se usar criaturas grotescas para ornamentar o sistema de drenagem está relacionada ao apotropismo, um conceito que se refere ao uso de gestos, rituais ou imagens para afastar o mal. A lógica é combater fogo com fogo: usar monstros para afugentar espíritos ruins e proteger o interior do edifício.
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Elas também serviam para educar os fiéis por meio do medo: mostrar os terrores do mundo reforçava a importância de procurar a salvação por meio da Igreja.
Embora as gárgulas tenham se popularizado em construções do período medieval, já existiam sistemas de escoamento com rostos de animais desde a Antiguidade. Um exemplo são as bicas de água em formato de rosto leão presentes no Templo de Zeus, construído no século 5 a.C.
Com o tempo, essas estruturas monstruosas e muitas vezes humorísticas passaram a ser usadas na arquitetura não para o escoamento de água, mas apenas para ornamentação. A gárgula mais famosa da Catedral de Notre-Dame, chamada Le Stryge, não é uma gárgula no sentido original da coisa, já que ela não está ligada ao sistema de escoamento. Trata-se de uma estátua com o queixo apoiado nas mãos, de boca fechada, olhando para o horizonte. Apesar de serem chamadas de “gárgulas”, o nome dessas criaturas é “quimeras” ou “grotescos”.
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