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O Tribunal de Nuremberg julgou nazistas após a Segunda Guerra, e um novo filme destaca o papel crucial de imagens chocantes dos campos de concentração. Essas filmagens, algumas feitas pelos próprios nazistas, foram inegáveis provas do Holocausto, expondo a magnitude dos crimes e abalando profundamente o tribunal.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A Alemanha nazista matou mais de 6 milhões de judeus. A maioria deles foi torturada e executada em campos de concentração.
Com o fim da Segunda Guerra, em maio de 1945, diante de um dos maiores crimes contra a humanidade, o grupo dos Aliados (Estados Unidos, França, Inglaterra e União Soviética) criou um tribunal militar internacional capaz de julgar e condenar os oficiais nazistas envolvidos nas atrocidades.
Já não era mais suficiente que eles fossem julgados pelas leis de seus próprios países, ou simplesmente executados, sem a exposição e análise de seus atos. Assim, foi criado o Tribunal de Nuremberg, composto por juízes e promotores dos quatro países aliados.
O evento histórico já foi amplamente retratado na literatura e no cinema, e voltou a ganhar destaque na última semana com o lançamento do filme Nuremberg, estrelado por Rami Malek e Russell Crowe.
O longa, porém, mostra um aspecto pouco conhecido: os filmes exibidos durante o julgamento. Eles contém imagens dos campos de concentração e foram cruciais para a condenação dos nazistas. Com eles, a magnitude do Holocausto foi exposta de uma vez por todas.
As câmeras da época registraram a reação do tribunal diante das filmagens. Você pode conferir essa gravação neste link.
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O filme Nuremberg exibe cinco minutos de trechos reais desses filmes. Os atores foram instruídos a não assisti-los previamente, para que suas reações fossem captadas de forma autêntica.
Há três principais filmes que foram exibidos. Nazi Concentration Camps (Campos de Concentração Nazistas), com uma hora de duração, mostra cenas filmadas pelas tropas aliadas durante a libertação de campos como Buchenwald e Dachau, localizados na Alemanha.
Foi especialmente após a exibição desse filme que toda a assembleia de Nuremberg permaneceu em silêncio, impactada pelas provas visuais.
The Nazi Plan (O Plano Nazista), por outro lado, retrata a ascensão do nazismo e da propaganda antissemita. Foi produzido pelo roteirista e cinegrafista americano Budd Schulberg, vencedor do Oscar, com apoio de oficiais dos Estados Unidos e supervisão do comandante da Marinha James Donovan.
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Esse filme é composto por imagens feitas pelos próprios nazistas para fins de propaganda – uma estratégia que evidenciava que os líderes tinham plena consciência de seus atos.
As imagens incluem propagandas desde o início do partido nazista, nos anos 1920, além de discursos de Hitler, invasões alemãs em outros países e registros do Holocausto feitos por cinegrafistas alemães. Há também registros das queimas de livros e de Hermann Göring (braço direito de Hitler, julgado em Nuremberg) anunciando leis de segregação racial.
Outro destaque foi o filme soviético sobre as atrocidades, com cerca de uma hora de duração. Ele foi preparado rapidamente após a exibição de Campos de Concentração Nazistas e reúne imagens feitas por soldados soviéticos. O material mostra o extermínio nos campos de Auschwitz e Majdanek, além da destruição de cidades soviéticas.
Todas as gravações dos Aliados foram feitas durante o longo processo de libertação dos campos de concentração, que não ocorreu de forma imediata.
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O processo de filmagem
A partir de 1944, a Segunda Guerra Mundial já caminhava para o fim. Diversos campos de concentração foram libertados gradualmente pelos Aliados – revelando, aos poucos, o genocídio em massa que ocorria naqueles locais.
O primeiro grande campo libertado foi Majdanek, em julho de 1944, em Lublin, Polônia. A Alemanha antecipou a invasão e evacuou muitos prisioneiros para outros campos. Ainda assim, os indícios de massacre eram evidentes.
O mesmo ocorreu meses depois, em janeiro de 1945, quando os Aliados tomaram Auschwitz – o maior campo de concentração, também na Polônia. Em uma tentativa de encobrir seus crimes, os nazistas destruíram parte da infraestrutura e submeteram os prisioneiros às chamadas “marchas da morte”, obrigando-os a caminhar sob condições extremas no inverno polonês.
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Ainda assim, o genocídio era inegável. Cerca de 7 mil prisioneiros permaneceram em Auschwitz, além de milhares de corpos e pertences, incluindo cerca de 800 mil peças de roupas femininas e centenas de milhares de ternos.
Nesses e em outros campos, jornalistas e fotógrafos foram acionados para documentar os horrores encontrados. No caso do exército dos EUA, o United States Army Signal Corps, responsável pelas comunicações, liderou a documentação. Cineastas renomados de Hollywood integraram esse esforço, como Darryl Zanuck, Frank Capra e George Stevens.
De início, as imagens não foram divulgadas ao público, para evitar alarmar familiares que tiveram seus entes queridos deportados, presos ou recrutados durante a guerra.
Isso mudou a partir de abril de 1945, com a descoberta do campo de Ohrdruf, na Alemanha, onde havia pilhas de corpos de prisioneiros baleados e queimados. O choque foi tão grande que a censura foi suspensa – era preciso mostrar ao mundo o que estava acontecendo.
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As imagens passaram a circular na mídia e ganharam ainda mais força durante o julgamento de Nuremberg, que contou com um trabalho intensivo para reunir e organizar grande parte desse material. Os filmes foram editados em Berlim, e Leni Riefenstahl, cineasta favorito de Hitler para a propaganda nazista, foi obrigada a colaborar.
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