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Introdução
Uma rara planta carnívora, a Utricularia warmingii, foi redescoberta no Piauí após 80 anos. Conheça sua incrível forma de caça e por que ela corre perigo de extinção, ressaltando a importância de preservar ecossistemas aquáticos únicos e vulneráveis.
A Utricularia warmingii, planta carnívora rara, não era avistada no Brasil há mais de 80 anos.
Foi redescoberta na Lagoa do Bode, no Piauí, por pesquisadores da UFPI e do INMA.
Ela se alimenta de animais microscópicos por meio de um mecanismo de armadilha ultrarrápido por pressão negativa.
A espécie está ameaçada pela destruição de seu habitat aquático e pelas mudanças climáticas.
Pesquisadores defendem sua classificação como “em perigo de extinção” devido à sua vulnerabilidade.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O gênero Utricularia é como uma família numerosa: são aproximadamente 250 espécies de plantinhas “primas”, todas aquáticas ou semi-aquáticas, e, em especial, todas carnívoras. Mas não imagine uma planta ameaçadora: elas se alimentam principalmente de animais microscópicos – excepcionalmente, as maiores, conseguem comer insetos aquáticos de 1 centímetro.
As presas pequenas não fazem as refeições serem menos vorazes: para almoçarem, elas usam mecanismos engenhosos semelhantes a armadilhas. Funciona assim: as plantas são cobertas por utrículos, estruturas parecidas com pequenos sacos, com pressão negativa no seu interior. Quando algum animalzinho minúsculo encosta no exterior da planta, ela abre o utrículo, e a pressão puxa o almoço para dentro do órgão. Essa maracutaia é super rápida, e leva entre 10 e 15 milissegundos.
Elas podem ser encontradas em todos os continentes, exceto a Antártida. No Brasil, há 71 membros desse gênero, a maioria na região Nordeste. Há mais de 80 anos, entretanto, ninguém avistava as flores brancas, com manchinhas amarelas e vermelhas da Utricularia warmingii por aqui.
Agora, pesquisadores da Universidade Federal do Piauí e do Instituto Nacional da Mata Atlântica reencontraram a bendita em uma área alagada do interior do Piauí: a Lagoa do Bode, no município de Campo Maior, a 80 quilômetros da capital, Teresina.
Em teoria, ela também ocorre em outras partes da América do Sul, como a Bolívia, Colômbia e Venezuela, mas todos os registros são raros e esparsos. Por aqui, ela já foi registrada em alguns locais do Pantanal e do Sudeste – mas não é vista em São Paulo desde 1939, e, em Minas Gerais, desde 1877.
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Por isso, acreditava-se que a U. warmingii já tivesse sido extinta nesses estados – e, quiça, no Brasil todo.
“A descoberta no Piauí amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie, mas também evidencia sua vulnerabilidade. Até agora, a população encontrada parece estar restrita a um único local, e novas buscas na região não localizaram outras ocorrências”, destaca, em comunicado, o professor Francisco Ernandes Leite Sousa, mestrando da UFPI e líder da pesquisa.
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O risco é maior porque os ecossistemas ideais para essas plantinhas, as lagoas rasas e áreas de alagamento temporário, são especialmente ameaçadas pelo avanço das atividades humanas. A expansão agropecuária, o uso de agrotóxicos, a introdução de espécies invasoras, o uso do espaço por humanos… Todas essas são ameaças constantes no dia-a-dia de uma U. warmingii.
Isso sem falar nas mudanças climáticas, que provocam mudanças nos regimes de cheias e secas e outros desequilíbrios ecológicos incalculáveis. Em artigo publicado na revista científica Key Bulletin, os pesquisadores defendem que ela seja classificada oficialmente como “em perigo de extinção”.
Isso porque, embora, em teoria, a plantinha seja nativa de toda a América do Sul, os pesquisadores calculam que, na prática, ela ocupe uma área de 36km². Isso significa que, se um único grupo de U. warmingii sumir, é improvável que haja uma recolonização natural, ou seja, que outra população da mesma planta volte a ocupar aquele lugar. Quem se for, vai de vez.
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