Técnica de irradiação elimina resíduos de antidepressivo que contamina vida aquática

Técnica de irradiação elimina resíduos de antidepressivo que contamina vida aquática


“Quando essa radiação incide na solução aquosa, ocorre a radiólise da água, formando radicais altamente reativos, compostos que atacam e degradam as moléculas dos fármacos”, descreve. Na radiólise, acontece a quebra das ligações químicas que formam a água. “Essa técnica se insere no contexto de processos oxidativos avançados (POAs) e é considerada promissora para remover contaminantes orgânicos persistentes.”
Os resultados dos testes demonstraram que a irradiação por feixe de elétrons foi eficiente na degradação da fluoxetina e do surfactante (substância que permite a ação superficial do fármaco), tanto individualmente quanto em mistura. “Também houve redução significativa da toxicidade da solução tratada, evidenciada por ensaios ecotoxicológicos”, ressalta o pesquisador. “Apesar da degradação dos compostos, a mineralização completa foi limitada, indicando a formação de subprodutos, embora com menor toxicidade que a mistura original.”
“A irradiação por feixe de elétrons apresenta elevado potencial para aplicação em estações de tratamento de efluentes e de esgoto”, observa Tominaga. “No Brasil, o Ipen, vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM), dispõe de uma unidade móvel, que contém um acelerador de elétrons, o que permite a avaliação do tratamento em estações de tratamento de efluentes, com volumes consideráveis e operação em fluxo contínuo.”
O pesquisador salienta que a tecnologia já vem sendo estudada e usada em outros países, como a Coreia do Sul, China, Japão e alguns países da Europa, e principalmente no tratamento de efluentes industriais, lodos de esgoto e na remoção de micropoluentes orgânicos persistentes. “Essas experiências internacionais demonstram que a tecnologia é tecnicamente viável, segura e escalonável, reforçando seu potencial de aplicação em sistemas de tratamento de efluentes”, conclui.
O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores vinculados ao Ipen, coordenados por Sueli Ivone Borrely, com a colaboração de Antonio Carlos Silva Costa Teixeira, do Centro de Engenharia de Sistemas Químicos (Cesq) da Escola Politécnica (Poli) da USP, além dos pesquisadores Flavio Kiyoshi Tominaga, Roberta Frinhani Nunes eVanessa Silva Granadeiro Garcia. O artigo sobre a pesquisa pode ser conferido no link: Electron beam application to fluoxetine and surfactant mixture degradation, with persulfate, and toxicity approach.
Mais informações: fktominaga@gmail.com, com Flávio Tominaga.
*Texto escrito por Júlio Bernardes sob orientação de Simone Gomes.
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