Quando foi definido que homem usaria calça e mulher usaria vestido?

Quando foi definido que homem usaria calça e mulher usaria vestido?

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Introdução
Descubra como a moda se tornou um espelho das convenções de gênero. Desde as túnicas medievais até as calças modernas, entenda a evolução da vestimenta masculina e feminina na Europa, as proibições e a revolução impulsionada pelas guerras. Uma viagem fascinante pela história da roupa e seus significados sociais.

A moda europeia passou a diferenciar gêneros a partir do séc. 14, marcando o fim das vestes unissex.
Homens adotaram roupas mais curtas e ajustadas, refletindo o ideal do cavaleiro e a virilidade.
A verdadeira calça surgiu há 3 mil anos na Ásia Central, mas só se popularizou na Europa bem depois.
Pós-Revolução Francesa, calças masculinas e a proibição feminina de usá-las.
As Guerras Mundiais revolucionaram o vestuário feminino, tornando as calças uma necessidade prática.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A partir do século 14, na Europa Ocidental, a roupa passou a marcar de forma mais clara a diferença entre homens e mulheres. Até então, os dois usavam peças parecidas: vestes longas e soltas (como túnicas e mantos) semelhantes às da Grécia, do Egito e da Roma Antiga.
Isso começou a mudar por volta de 1340: os homens passaram a usar roupas mais curtas e ajustadas ao corpo, como o gibão (um tipo de casaco que ia até a altura do quadril). Como essas peças deixavam as pernas expostas, eram combinadas com meias altas e justas, cada uma cobrindo uma perna separadamente.

Uma explicação para essa mudança é que, na época, o ideal masculino estava ligado à figura do cavaleiro: jovem, ativo e pronto para a guerra. Roupas mais curtas facilitavam o movimento e também destacavam as pernas, vistas como sinal de força e virilidade.

Enquanto isso, as roupas femininas continuaram longas e, pela primeira vez, o comprimento da roupa virou um sinal de distinção.
As vestes longas não desapareceram totalmente do guarda-roupa masculino, mas deixaram de ser a roupa comum do dia a dia. Passaram a aparecer principalmente em situações formais e em grupos específicos, como entre membros da aristocracia, do clero e das universidades. Nesses casos, o traje longo passou a indicar prestígio, autoridade ou posição social.

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A calça como conhecemos, por outro lado, é bem mais antiga. Surgiu por volta de 3 mil anos atrás, entre povos nômades da Ásia Central, que viviam a cavalo. Usar túnica nessa situação deixava a parte interna das pernas exposta ao atrito, ao frio e a ferimentos.

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A calça resolveu esse problema ao cobrir cada perna separadamente, oferecendo mais proteção e liberdade de movimento. Com o tempo, a peça se espalhou com esses cavaleiros e foi adotada por outros povos. Após a queda do Império Romano, no século 5, grupos do norte e centro da Europa, como os germânicos, que já usavam calças, passaram a dominar a região.

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Mesmo assim, durante a Idade Média e o início da era moderna, o mais comum entre os homens europeus não eram ainda as calças compridas, mas combinações de meias justas e calções, que cobriam o corpo da cintura até os joelhos.
Após a Revolução Francesa, os homens adotaram calças compridas e ternos mais sóbrios – uma recusa aos excessos da vestimenta dos monarcas. Esse processo ficou conhecido como “Grande Renúncia Masculina”.
Na moda feminina, os vestidos ficaram mais volumosos, pesados e difíceis de usar reforçando a associação entre a mulher e o ambiente doméstico. Na França, uma lei de 1800 proibia que mulheres usassem calças em público sem autorização. A medida foi criada para “impedir que elas se vestissem como homens” e, embora tenha caído em desuso, só foi revogada oficialmente em 2013.

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A mudança de verdade só ganhou força no século 20, por necessidade prática. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, milhões de mulheres passaram a trabalhar em fábricas, transportes e lavouras. Vestidos eram perigosos perto das máquinas, e as calças se tornaram a opção mais prática.
Pergunta de Juliana Alvim, Osasco (SP)
Fonte: Giulia Falcone de Lourenço, Doutora em História Social pela USP
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