Muito antes de Cleópatra: há 5 mil anos, uma rainha pode ter governado o Egito, diz estudo

Muito antes de Cleópatra: há 5 mil anos, uma rainha pode ter governado o Egito, diz estudo

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Introdução
Novas descobertas arqueológicas revelam que Meretneith, que viveu há mais de cinco mil anos, pode ter sido a primeira mulher a comandar o Egito Antigo. Evidências aprimoradas digitalmente de selos de argila sugerem que ela possuía autoridade real plena, antecipando em milênios a liderança feminina no império.

Meretneith pode ter sido a primeira mulher a comandar o Egito há 5 mil anos.
Sua tumba indicava grande importância, com artefatos de luxo.
A ausência inicial de um “serekh” levantava dúvidas sobre seu status real.
Nova análise digital de selos antigos revela um serekh com a deusa Neith.
O símbolo de Neith indica autoridade real plena, nunca usada por homens.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

​Muito antes de Cleópatra, Nefertiti ou Hatshepsut ocuparem o trono, uma mulher pode ter comandado a civilização egípcia antiga. Descobertas sobre Meretneith, que viveu há mais de cinco mil anos, sugerem que ela pode ter sido uma das primeiras governantes após a unificação do Egito, ainda na Primeira Dinastia. 
Quando arqueólogos encontraram a tumba de Meretneith, ainda no final do século 19, já havia indícios de que se tratava de alguém importante. Elaborado com requinte, o local continha artefatos de pedra, marfim e cobre – uma tumba digna de faraós. Além disso, seu nome, que significa “amada de Neith”, é uma referência direta a uma das deusas mais respeitadas do Egito Antigo. 

A tumba de Meretneith também tinha uma estela, uma estrutura de pedra contendo um texto escrito em hieróglifos. Diferentemente das tumbas de outros reis encontrados no local, porém, a estela dela não tinha um elemento importante: um símbolo chamado serekh. Esse desenho era usado para identificar quem era faraó no momento de sua morte, ou seja, quem de fato comandava aquele povo.

Por causa disso, vários pesquisadores acreditam que Meretneith não teve o mesmo papel que os governantes masculinos. Por outro lado, há evidências de que ela possa ter tido algum tipo de poder – estando à frente de funções de tesouraria, por exemplo. 
Esses vestígios, além dos objetos encontrados em seu túmulo e a localização de sua sepultura em uma necrópole real, na cidade sagrada de Abidos, nas margens do Nilo, levaram pesquisadores, no passado, a acreditar que ela tenha governado em conjunto um homem chamado Djer, ou ao menos ter atuado como regente interina por algum tempo.

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Djer foi o terceiro rei da Primeira Dinastia do Egito (que durou de 3.100 a.C. a 2.890 a.C.), séculos antes da construção das famosas pirâmides. Não se sabe ao certo qual seria a relação de Meretneith com ele: é possível que ele tenha sido seu pai, ou que ela tenha sido esposa de seu filho Djet, ou ainda atuado como regente de Den, filho de Djet, quando ele ainda era jovem demais para governar sozinho.
Por décadas, o papel de Meretneith suscitou debate entre especialistas e foi pouco compreendido. Agora, mais um plot twist em sua história: na verdade, é possível que a tumba dela tenha tido sim um serekh, o símbolo usado para identificar os faraós, mas que ele tenha se perdido após as primeiras escavações.

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A primeira rainha do Egito?
Para entender essa história, precisamos voltar para a década de 1940. Em Sacará, um dos sítios arqueológicos mais conhecidos do Egito, o arqueólogo William B. Emery encontrou 13 objetos de argila ao redor da abertura de um poço funerário. Esses objetos, segundo ele, seriam uma espécie de selo postal com quatro serekhs.
Emery identificou dois serekhs como pertencentes a Djer e sugeriu que os outros dois seriam de Meretneith. Para ele, essa era a prova de que ela tinha sido uma governante do Egito.
Em um artigo publicado em 1954, ele apresentou uma fotografia em preto e branco de um desses selos de argila. No entanto, a má qualidade da imagem não convenceu a maioria dos pesquisadores sobre a teoria de que Meretneith seria rainha. 

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Para complicar ainda mais a investigação, todos os 13 selos de argila, bem como a placa original da fotografia, desapareceram. O paradeiro deles é desconhecido até hoje.
A única coisa que sobrou foi a fotografia em preto e branco. Esse material foi a base para o novo estudo, em que pesquisadores utilizaram uma série de técnicas para aprimorar digitalmente a imagem e descobrir mais detalhes. Assim, a equipe obteve sucesso e conseguiu tornar mais nítidos os hieróglifos presentes nos selos. 
As imagens revelam que o segundo serekh traz a representação da deusa Neith, considerada pela mitologia egípcia como uma força criadora do universo e deusa da guerra. Isso é importante porque Neith é um símbolo que nenhum governante do sexo masculino na história utilizou. Ou seja, aquele serekh provavelmente pertencia a uma mulher – Meretneith.

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Para os pesquisadores, a descoberta indica que Meretneith teve, em algum momento da história, uma autoridade real plena no Egito Antigo. 
A pesquisa foi publicada na Prague Egyptological Studies. 

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