Guaxinins fazem brinquedos com lixo em rara demonstração de aprendizado social

Guaxinins fazem brinquedos com lixo em rara demonstração de aprendizado social

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Introdução
Uma rara espécie de guaxinim-pigmeu em Cozumel surpreendeu cientistas ao criar brinquedos com lixo, exibindo a primeira evidência de “cultura material” na família Procyonidae. Esse comportamento, transmitido entre a família, destaca a inteligência desses animais, que enfrentam ameaças como a destruição de seu habitat e a desnutrição.

Guaxinins-pigmeus criam brinquedos com papel e areia Estudo documenta “cultura material” em família de guaxinins Comportamento de criar brinquedos é transmitido entre os animais Espécie de guaxinim-pigmeu está criticamente ameaçada Sobrevivência do hábito de brincar desafia a morte de um dos animais

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A ilha mexicana de Cozumel, no Mar do Caribe, abriga uma das criaturas mais raras do planeta: o guaxinim-pigmeu. Muito parecido com um guaxinim comum, estes mamíferos de pequeno porte se diferenciam pela pelagem cinza-amarelada, pelos pretos ao redor dos olhos e uma faixa preta na garganta. Atualmente, a espécie passa por um momento crítico: estima-se que restem apenas 200 guaxinins-pigmeus na natureza. 
A espécie existe apenas na ilha de Cozumel, um destino famoso mundialmente pelos seus recifes de corais, águas cristalinas e como a maior parada de navios de cruzeiro da América Latina. Entre os turistas, os guaxinins-pigmeus são conhecidos por frequentemente revirar latas de lixo em busca de restos de comida.

Em janeiro deste ano, no entanto, turistas presenciaram uma cena diferente. Uma jovem guaxinim decidiu ignorar as sobras de comida de uma lixeira e, em vez disso, preferiu pegar um recibo. Ela então levou o pedaço de papel até uma tigela com água, onde mergulhou o objeto repetidamente e o enrolou contra a areia até formar uma bola compacta. 

Depois, a guaxinim ficou por ali, brincando com sua própria criação. Ela havia, em termos humanos, criado seu próprio brinquedo.

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Agora, um estudo publicado na revista Wild indica que o comportamento não era apenas um caso isolado. Na verdade, o hábito seria uma habilidade transmitida entre os membros de uma família de guaxinins-pigmeus. Trata-se da primeira evidência documentada de “cultura material” na família Procyonidae – que inclui guaxinins, quatis e juparás. 

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O termo “cultura material” corresponde a objetos físicos que um grupo cria, utiliza e deixa para trás. No mundo animal, esses objetos podem ser ferramentas, vestuário, brinquedos e até mesmo móveis. Normalmente, eles aprendem a fabricar ou utilizar esses itens observando outros da espécie. 
Foi exatamente este comportamento que pesquisadores observaram em Cozumel. A irmã foi a primeira a aprender como fazer suas próprias bolas. A mãe também chegou a tentar, mas logo desistiu da tarefa. Curiosamente, os autores afirmam que é possível que ela tenha desistido, em parte, por ter consumido uma dose de margarita momentos antes – o que diminuiu suas habilidades.

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Guaxinins estão apresentando sinais iniciais de domesticação

Em um dos relatos descritos no artigo, a equipe observou as duas irmãs brincando de “futebol” entre si e com a mãe. 

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A história da família, porém, termina de um jeito agridoce. Pouco depois de inventar o brinquedo, a primeira guaxinim adoeceu gravemente e acabou falecendo. Uma das explicações para a morte súbita do animal é a desnutrição e a poluição tóxica causada por um novo resort nas proximidades, que havia destruído parte do habitat dos guaxinins. 
Com a morte da guaxinim, pesquisadores acreditaram que esse seria o fim da tradição de brinquedos. Afinal de contas, a cultura material depende dos indivíduos que detêm o conhecimento para sobreviver. 

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No entanto, dias depois, a irmã sobrevivente repetiu o mesmo processo: ela tirou uma embalagem de hambúrguer da lixeira, molhou a engenhoca na água e a pressionou contra a areia. Logo ela estava brincando com sua nova bola. 
Agora, a equipe também está ansiosa para ver se a habilidade continuará a se disseminar entre guaxinins-pigmeus.
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