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Introdução
Pesquisadores brasileiros ganharam o Ig Nobel de Biologia 2026 por um estudo inusitado: pisaram mais de 40 mil vezes em jararacas, usando botas de proteção, para entender o comportamento das serpentes ao contato humano. A pesquisa revelou fatores curiosos sobre as picadas e até gerou polêmica.
Cientistas brasileiros venceram o Ig Nobel de Biologia 2026.
O estudo simulou pisadas em jararacas para analisar suas reações.
A idade e a região do corpo da serpente influenciam a chance de picada.
Serpentes recém-nascidas picam mais que as adultas.
O artigo original foi retratado por questões éticas, mas os autores discordam.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O que leva uma serpente a picar um humano? Foi essa a pergunta que levou um grupo de brasileiros a pisar, levemente, mais de 40 mil vezes em jararacas (Bothrops jararaca) – usando uma bota de proteção, claro. O esforço lhes rendeu o Ig Nobel de Biologia de 2026, anunciado nesta quinta-feira (3) em Zurique.
Os premiados foram os cientistas João Miguel Alves Nunes, Adriano Fellone, Selma Maria Almeida-Santos, Carlos Roberto de Medeiros, Ivan Sazima e Otavio Augusto Vuolo Marques.
A premiação do Ig Nobel é uma paródia do Nobel concedido todos os anos pela revista humorística Annals of Improbable Research. São laureados pesquisadores que fizeram descobertas aparentemente inúteis ou absurdas. Apesar do tom cômico, a organização diz que o objetivo é homenagear “realizações tão surpreendentes que fazem as pessoas rirem e, depois, pensar”.
Os ganhadores do Ig Nobel recebem uma cédula de dez trilhões de dólares do Zimbábue – que praticamente não tem valor monetário.
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Novo antídoto combate veneno de 17 cobras africanas
Pisando em ovos – ou jararacas
Para o estudo, 116 jararacas (entre adultos, juvenis e recém-nascidos) estiveram envolvidas. Os pesquisadores calçaram uma bota de proteção, aproximaram o pé das serpentes e repetiram o contato repetidas vezes, de formas diferentes. Em uma delas, por exemplo, o pesquisador se aproximava até cerca de 5 centímetros da cobra, sem encostar. Em outra, tocava levemente o animal com a bota.
Enquanto a maioria dos estudos sobre serpentes olha para o veneno ou para os habitats desses animais, os pesquisadores brasileiros escolheram um ângulo pouco explorado: o comportamento da própria serpente diante de um humano. O estudo investigou se o tamanho, a temperatura, o sexo e a região do corpo tocada influenciam as chances de picada do animal.
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Curiosamente, todos estes fatores tiveram algum efeito sobre a probabilidade de bote das jararacas. Primeiro, pesquisadores descobriram que não dá para dizer que machos ou fêmeas picam mais em qualquer situação. Quando o contato ocorria na cabeça, a chance de uma picada defensiva era de aproximadamente 44%. No meio do corpo, caía para 20%. Na cauda, para 11%.
Mas a idade fez diferença: as chances de picada dos recém-nascidos era 2,17 vezes maior do que a dos adultos. Especificamente as fêmeas recém-nascidas tiveram a maior tendência a picar entre os estágios de vida avaliados.
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A temperatura também teve efeitos diferentes entre os sexos. Entre as fêmeas, ambientes mais quentes foram associados a uma chance maior de picada. Já para os machos ocorreu o contrário: à noite, os animais tiveram menor tendência a dar o bote quando expostos a altas temperaturas.
Retratação do artigo
Originalmente, os resultados da pesquisa haviam sido publicados pela revista Scientific Reports. No entanto, após questionamentos relacionados à ética do experimento, a publicação pediu pela retratação do artigo – um aviso formal para cancelar ou invalidar os resultados do estudo que já havia sido publicado.
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A justificativa da Scientific Reports é que a autorização concedida aos pesquisadores não abrangia o uso de serpentes recém-nascidas e o ato de pisar nas cobras nos testes. Nenhum dos autores concorda com a retratação da pesquisa. Eles destacam que o método do pé é baseado em pesquisas anteriores que aproximam os pés de cobras e afirmam que o método não compromete os resultados do trabalho
Curiosamente, João Miguel Alves Nunes, primeiro autor do artigo, foi afastado do próprio projeto após ser picado quatro vezes por serpentes e sofrer reação alérgica ao veneno e ao soro antiofídico.
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