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Introdução
Tarsila do Amaral, pilar do modernismo brasileiro, faria 140 anos. Descubra a fascinante trajetória da artista, da formação europeia à consagração com obras que redefiniram nossa identidade. Conheça as histórias por trás de Abaporu, sua fase social e o quadro mais valioso, além de curiosidades de sua vida pessoal.
A polêmica história e as duas versões da criação do Abaporu.
Como Tarsila foi presa pela ditadura de Getúlio Vargas.
A mudança de sua arte para a fase social e quadros emblemáticos.
A origem do apelido “Caipirinha” e sua paixão pela bebida.
Qual obra de Tarsila do Amaral é a mais valiosa de sua carreira.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Um dos nomes mais importantes da arte brasileira, Tarsila do Amaral completaria 140 anos nesta terça-feira (1°). O uso de cores vivas, formas geométricas simplificadas e a representação de temas verdadeiramente brasileiros tornaram a artista um dos pilares do movimento modernista – que buscava romper com a estética sóbria e cinzenta europeia.
Tarsila cresceu como membro da elite paulista. Seus familiares eram latifundiários que cultivavam e exportavam café em Capivari, no interior do estado de São Paulo. Apesar de vir de uma família rica, ainda adolescente, Tarsila foi incentivada a estudar. Assim, viajou extensivamente pela Europa, onde frequentou escolas particulares de arte como a Académie Julian, em Paris.
Naturalmente, influenciada pelos arredores, seus primeiros anos como artista refletiam a forte influência acadêmica europeia de sua formação. A primeira pintura que fez, Sagrado Coração de Jesus (1904, Barcelona), pouco tem a ver com a artista que viriamos a conhecer, por exemplo.
Em 1922, houve a primeira virada em sua carreira. Tarsila voltou brevemente a São Paulo poucos meses depois da Semana de Arte Moderna e Anita Malfatti, sua amiga desde 1917, a apresentou a Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. O grupo viria a ser conhecido mais tarde como “O Grupo dos 5”.
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Quando retornou a Paris, desta vez para estudar com pintores cubistas como Albert Gleizes e Fernand Léger, Tarsila trouxe consigo as cores, formas e temas do Brasil. Em uma carta de abril de 1923, enviada à sua família, a pintora escreveu:
“Sinto-me cada vez mais brasileira, quero ser a pintora da minha terra. Quero, na arte, ser a caipirinha de São Bernardo, brincando com bonecas de mato, como no último quadro que estou pintando. Não pensem que essa tendência brasileira na arte é mal vista aqui [Paris]. Pelo contrário. O que se quer aqui é que cada um traga contribuição de seu próprio país.”
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Logo depois, Tarsila voltou ao Brasil – e, desta vez, para ficar. Nos anos seguintes, a artista se dedicou a redescobrir as raízes culturais do país. Conheça 5 curiosidades desse período:
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1) A origem do Abaporu
A obra mais famosa de Tarsila, o Abaporu (1928), foi um presente de aniversário ao seu marido à época, Oswald de Andrade.
Em 11 de janeiro daquele ano, Oswald viu o quadro pela primeira vez e disse que era a coisa mais incrível que Tarsila já tinha feito. “É excepcional este quadro”, dizia ele. “É o homem plantado na terra.”. De tão afobado, Oswald sequer deixou que a artista explicasse a obra e junto ao poeta Raul Bopp (1898-1984), começou a analisar a tela.
Para eles, aquela figura enigmática seria um homem antropófago, ou seja, aquele que iria se alimentar da cultura, digerir e reinventá-la.
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Tarsila, que ainda não tinha um nome para a obra, buscou seu dicionário tupi-guarani e traduziu as falas como “aba” e “poru”, ou seja, “homem que come”. Surgiu assim o nome Abaporu, tão importante que influenciou Oswald a produzir o Manifesto Antropófago (1928).
Essa é a história mais famosa sobre o Abaporu. Existe um lado b, porém.
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Tarsilinha do Amaral, sobrinha-neta e guardiã do patrimônio da pintora, conta uma história diferente para a origem do quadro. Para ela, o Abaporu seria, na verdade, um autorretrato de Tarsila.
“Ela estava em frente a um espelho e ela nessa posição: sentada, com a mão na cabeça, o pé descalço e provavelmente ela estava nua”, disse ela no Conversa com Bial, em 2019.
Outra semelhança entre a pintura e a pintora está no pé. Assim como o Abaporu, familiares acreditam que Tarsila também tinha o segundo pododáctilo maior do que o primeiro, o hálux. Em meio a afobação de Oswald ao receber o quadro, a artista não teria compartilhado que se tratava de um autorretrato.
Em 1929, quando se separou de Oswald, Tarsila pediu o Abaporu de volta. Entre vindas e idas, porém, hoje o quadro não se encontra mais em posse brasileira. Quem quiser vê-lo terá que ir até o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, na Argentina.
2) Perseguida política
A crise econômica de 1929 afetou diretamente a família de Tarsila, que era dona de fazendas no interior de São Paulo. Agora sem dinheiro, a nova realidade econômica abriu seus olhos para questões políticas.
Para financiar uma viagem para a União Soviética em 1931, a artista vendeu uma série de quadros do seu acervo pessoal. Já em Moscou, Tarsila expôs suas obras no Museu Estatal de Arte Ocidental Moderna e se aproximou das ideias comunistas – sensibilizada pela causa operária.
De volta ao Brasil, porém, a simpatia pelo comunismo resultou em perseguição política. Em meio à ditadura de Getúlio Vargas, ela chegou a ser presa por cerca de um mês, em 1932, sob suspeita de envolvimento com atividades ligadas à União Soviética e por subversão. O episódio a fez se afastar do partidarismo político nos anos seguintes.
3) Fase social
A mudança de valores de Tarsila também se refletiu em sua arte. Ainda impactada pelo que viu na União Soviética e sensibilizada pela causa operária, Tarsila deu início, na década de 1930, à chamada fase social de sua obra.
Deixando de lado o colorido tropical e onírico da fase antropofágica, ela passou a retratar temas urbanos e o cotidiano da classe trabalhadora, como um olhar mais político sobre o Brasil.
Os quadros mais notórios da fase são Operários (1933) e Segunda Classe (1933). Ambos hoje pertencem ao Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo.
4) A caipirinha
Como (quase) todo brasileiro, Tarsila gostava de cachaça com limão. Foi assim que ganhou o apelido carinhoso de “caipirinha” entre os modernistas, por conta do sotaque carregado. Essa, inclusive, é uma das várias teorias para a origem do nome da bebida.
A história conta que drinque fex sucesso na Semana de Arte Moderna, e Tarsila teria chamado de “caipirinha” a bebida oficial do evento. Além disso, ainda quando morava em Paris, a pintora recebia garrafas de cachaça enviadas do Brasil e preparava a bebida para seus amigos estrangeiros – a exemplo de Pablo Picasso.
Seu amor pela bebida deu origem ao…..
5) Quadro mais valioso da carreira
Ainda que o Abaporu seja sua obra mais célebre, não é ele o quadro mais caro de Tarsila. Esse título pertence a “A Caipirinha” (1923), autorretrato cubista que faz referência à infância da artista no interior paulista. Em dezembro de 2020, a tela foi arrematada em leilão por R$ 57,5 milhões, tornando-se a obra de arte mais cara já vendida em leilão público no país.
Hoje, ela faz parte do acervo pessoal de um colecionador brasileiro.
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