Além do tupi, outras línguas indígenas deixaram palavras no português?

Além do tupi, outras línguas indígenas deixaram palavras no português?

 (Carlos Duarte/Getty Images)

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Introdução
A influência indígena no português brasileiro é menor do que se pensa, com o tupi sendo a “língua geral” da Colônia. Palavras como “canoa” e “batata” chegaram indiretamente via espanhol de línguas caribenhas, e o macro-jê marcou nomes de lugares. Entenda as complexidades dessa formação linguística.

Tupi como a “língua geral” nos primeiros séculos da colonização.
Outras línguas indígenas, como Aruaque e Macro-Jê, tinham influência distinta.
Palavras como “canoa” e “batata” vieram de línguas aruaques, mas através do espanhol.
Línguas Macro-Jê deixaram poucos registros, notavelmente em toponímicos como Erechim e Goioerê.
A palavra “congonha” pode ter origem na língua Kaingang.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Sim, mas numa proporção muito menor.
Quando os portugueses chegaram aqui, encontraram diferentes povos (potiguaras, tupinambás, caetés, carijós etc.) no litoral falando variações do tupi. Esse idioma foi aprendido, modificado e adotado como “língua geral” pelos colonizadores, e era usado no dia a dia da Colônia nos primeiros séculos. Ele era, inclusive, imposto pelos europeus para indígenas de etnia não tupi, chamados coletivamente de “tapuias”.

No interior do território havia falantes de idiomas totalmente diferentes, como os dos grupos macro-jê, aruaque e karib.

Palavras como canoa, cacique e batata vêm de línguas da família aruaque, mas não por influência direta dos habitantes daqui. Elas provavelmente chegaram ao português trazidas por marujos espanhois, que, por sua vez, adotaram-nas do idioma taíno, falado pelo povo de mesmo nome que habitava as ilhas caribenhas (e os primeiros nativos das Américas a fazer contato com os europeus, com a chegada de Cristóvão Colombo em 1492).
Já as línguas macro-jê deixaram poucos registros no nosso falar. Os mais famosos são toponímicos, ou seja, nome de lugares, especialmente na região Sul. “Erechim”, município no Rio Grande do Sul, significa “campo pequeno” na língua Kaingang. Já “Goioerê”, no Paraná, quer dizer “campina d’água”. É possível que a palavra “congonha” para se referir à erva-mate derive de kógũin, o nome da planta também no Kaingang.

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Fonte: Wilmar da Rocha D’Angelis, professor de Linguística da Unicamp.
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